Mensagens

Imagem
  Há questões que a vida demora a responder, ou talvez seja o inverso, nós não aceitemos a resposta. in Nascer

Não me perguntas o que eu tenho?

Imagem
  Hoje, não sei bem porquê, lembrei-me do Rofty, claro que todos sabem quem é o Rofty, se não souberem, nem vale a pena continuar a leitura, quem não se recorda do mítico cavalo do D´Artacão não me merece qualquer estima, mas de onde se me levantou a memória do Rofty? Chega àquele espaço ainda com a farda-do-trabalho, o necessário fato e gravata, devido à altura, as peúgas espreitam quase sempre o exterior, enfim, aqueles aspectos ternurentos que ninguém pode levar a mal, arrasta os pés como se recém-chegado de uma longuíssima e extenuante jornada, pousa o saco, com a muda, em cima do balcão e solta um longo e sonoro suspiro, havia que anunciar a sua entrada, puxa um banco com o pé e senta-se inclinado o suficiente para observar quem lá estava, um segundo e ainda mais longo suspiro, a mão pelo rosto, numa teatralidade excessiva, como se carregasse todos os males do mundo pelos ombritos-curtos, em verdade, havia sempre algo a ensombrar-lhe os passos, desta vez falou-se num desgost...

O curral nº 403 da Peida-Sentada

Imagem
  Uma trilogia é sempre mais simbólica que um díptico, com base nesta premissa, resolvemos concluir “As aventuras da Peida-Sentada” com esta terceira parte, tudo começou com o sol ainda aquém das alturas, o Mocho, no seu ramo, via uns sujeitos a aproximarem-se do portão do curral da Peida-Sentada e afixarem três algarismos que, no fundo, constituíam um número: 403; o Mocho ficou alerta, o que provocaria aquele número, agora cravado no portão, nas porcas e porcos do curral? Nem por acaso, nessa manhã, a Peida-Sentado convocara os suínos para a ouvir dizer umas quaisquer alarvidades, afinal, que mais tem uma porca para dizer? Esta praxis de alarvidades já era comum ao porco velho e gasto do seu antecessor, mal conseguia emitir dois grunhidos direitos, porém, fazia com que os restantes porcos o ouvissem, durante horas-infindas, a debitar boçalidades sobre temáticas que, coitado, ignorava por inteiro, pois, alguém já viu algum porco com um livro nas patas? Os suínos já se aglomerava...

Abriu a época dos “avecs”

Imagem
  Há umas semanas, alguém me escreveu: “Vivemos tempos muito estranhos…”; não podia estar mais de acordo, desde há dois anos repito: “Afinal, não saímos da Idade Média”, acenam com o medo e quase todos se curvam e enfileiram em rebanho, pois, de facto, “Vivemos tempos muito estranhos…”, quando, na cronologia temporal, os teóricos afirmam estarmos na “Era da Tecnologia”, tão-só a aplicação prática da ciência, constato que “Afinal, não saímos da Idade Média”, e nesta confluência de informação aterrorizante diária, desesperança, cinzentismo, alienação galopante, derrube sistémico dos Valores Essenciais, há uma corrente que postula a época de e para tudo: “época balnear, época de férias, época da neve, época das castanhas, dos morangos, das cerejas, e mais frutas houver, época dos saldos…”, enfim, até há a “época dos incêndios”, pasme-se, como se fosse uma decorrência normal esta monstruosidade criminosa, uma coisa vos garanto: se ninguém ganhasse muito dinheiro, não havia fogos –...

Poesia em estado-puro

Imagem
  Nietzsche defendia que a essência humana se caracteriza por “Vontade-de- Poder”, até numa frase, com um pouco de atenção, é mensurável essa “Vontade-de-Poder”, não estranhem o facto de iniciar esta crónica com o grande filósofo alemão, porque hoje vou tratar a personagem que mais me fez recordar esta teoria nietzschiana, de facto, cada sofrível frase por si dita transparecia essa “Vontade-de-Poder”, também só lhe restava o verbo, pouco mais, apresentava-se como um douto na sétima-arte, durante um certo período, realizámos trocas clandestinas de filmes em formato dvd, um dos aspectos que mais me fascinava era, quando lhe entregava um filme novo, enquanto as suas pupilas quase tacteavam a capa, ouvi-lo exclamar “Isto é ganda filme! Isto é ganda filme!”, e, ao mesmo tempo, abanava a caixa, da primeira vez, totalmente desprevenido, ainda retorqui “Mas…   Mas… Já viste?”, assim que terminei de proferir a última sílaba da questão, logo o arrependimento a dominar-me, o que é natu...
Imagem
  ... esta é uma das delícias do ontem: basta pouco para sermos felizes, no fundo, basta sermos, como, a dado momento do nosso trajecto, trocamos o ser pelo parecer?  in Nascer

Já o meu irmão…

Imagem
  É inevitável olhar o outro com as cores do nosso pensar, por outras palavras, esperamos que aja ou pense de uma forma consentânea com os padrões em voga, certa vez, dei por mim, para meu silenciado espanto, a afirmar: “Não há pessoas normais!”; acrescentei ainda: “O que é isso de normal?”; pois, de facto, o que é isso de normal? Sem querer, agora, entrar no complexo campo dos Valores, alvo de extermínio a cada dia, vou ilustrar, hoje, uma das figuras mais singulares que se pode conhecer sob o céu, de certa forma, pagar uma dívida, há muito merecia umas linhas, é o resultado de uma estranha combinação, sublinhe-se que sem nenhum exagero, entre: Corto-Maltese + John Rambo + Platão + Santo Agostinho + Tarzan + Errol Flynn + Mr. Miyagi… Esta soma peca por escassez! Aqui chegados, haverá quem abra a boca de espanto e questione: por escassez? Mas existe ser-humano assim? Um todo resultante destas insignes partes? Sim, existe, e posso assegurar-vos de que tenho o privilégio de há muit...