Gostava, um dia, de me sentar à mesa comigo
Ia, de bola na mão, ao encontro dos outros miúdos da minha rua, após o almoço, tínhamo-nos mudado há pouco para o bairro, esta devia ser a terceira ou quarta vez que jogava à bola com eles, já tinha uma ideia do que eles faziam com uma bola nos pés, há coisas, na vida, que basta olhar, com a bola é assim, soube que tinha de regressar pela voz da minha mãe, que me chamava da janela, já os candeeiros nos lembravam que sempre ali estiveram, e eu com vontade de continuar o jogo, os outros também, um aroma a jantar descia pelas janelas abertas, de facto, o tempo da infância obedece a outros ponteiros, do almoço ao jantar apenas uns pontapés na bola, antes de um último remate, percebi que se combinava um jogo com os miúdos da praceta de baixo, pelo tom moderado das vozes, compreendi que era coisa séria, de facto, poucas coisas superam em relevância um jogo entre as selecções de duas pracetas, claro que me aproximei daquelas vozes contidas, procurei assumir igualmente uma expressão compenetra...