Dizem que, com a idade, as pessoas mudam? Que grande mentira! Ela sempre assim foi, que mais lhe posso dizer? Não, não sei a quem puxou, detectei-lhe isto cedo, muito cedo, teria uns quatro anos, a irmã, mais nova dois anos, magoou-se, por qualquer coisa, ela a um canto, num berreiro, dizia ter-se também magoado, não me pergunte como, a verdade é que todos, logo ali, ficámos à sua volta, a irmã, mais nova dois anos, acabou por se remeter ao silêncio, este foi, aos meus olhos, o início do seu monopólio da dor, certa vez, em adolescente, já tínhamos, nessa altura, as nossas acentuadas divergências, lembro-me bem de lhe dizer “Coitado do homem que contigo casar! Então, se tiver a infelicidade de te amar, será um fantoche nas tuas mãos!” Ela não respondeu, também não lhe admitia, ficou a ruminar a minha observação, elucidativo, não acha? Pois, o seu silêncio dava-me razão, e não é que encontrou um homem assim? O início de qualquer relação, como deve saber, é pautado pela teatraliza...