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A mostrar mensagens de agosto, 2025

Um livro na mão, o mundo no pensar

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  Amanhã temos de ir às compras! Falta… Desliguei, já não o ouvi mais, às vezes, assalta-me esta noção de absurdo, como se tudo isto fosse uma ridícula encenação repetida até ao que permite a exaustão de cada um, Amanhã temos de ir às compras! Falta… Ouço, durante os cinco dias, a que alguns baptizaram pomposamente de dias úteis, que, no fundo, se revelam de uma total inutilidade para o viver, eu que o diga, atrás daquele balcão, com um obrigatório sorriso postiço, mesmo quando percebo que a carteira é inversamente proporcional aos modos e aparência de quem lá entra, afinal, a experiência também é saber, ultimamente nem bom-dia ou boa-tarde , nada, às vezes questiono-me a quem dará jeito esta queda da educação, o que custa um singelo bom-dia ? Quantas almas já não se terão erguido ao ouvir tal saudação? E quanta melodia não fica a pairar quando se diz bom-dia? Até parece uma declaração de esperança, uma saudação à luz que se ergue algures por aí… No dia seguinte, já sei que de t...
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  ... como é essencial, nesta caminhada pelo aqui, o espelho do nosso sorriso, já que tanto rareia face às noites da existência… in O lento esvoaçar das cortinas pela manhã

Um ontem tão hoje II

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  … quando as nossas sombras oriundas dos candeeiros, pela calçada irregular, a relembrarem a urgência de um calor, fomos para o hotel, parei o carro mais possível da porta, talvez, por mim, um indizível receio de que ela capitulasse, saí, abri a bagageira, retirei a minha mala, de seguida, a sua, não sei porquê, mas pareceu-me ainda mais pequena, dei-lhe a mão sem a olhar nos olhos, cerca de duas dezenas de metros até à entrada, após cinco   ou seis passos, percebo que ela se imobiliza, a sua mão abandona a minha, paro, olho-a agora no rosto, percebo-lhe a lonjura, procuro construir uma frase oportuna, talvez uma graça, mas nada, apenas um lugar-comum ( Passa-se alguma coisa? ), do qual logo me arrependo, porém, já me fizera refém de tamanha estupidez ( Passa-se alguma coisa? ), como não se podia passar? Nós os dois, àquela hora, a uns escassos passos de entrar num hotel, ela vinda de um divórcio de dor, pois, partiu da outra parte a ideia, eu, apesar da separação, aquém de...
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  - "O que é o Inferno senão a morte de um sonho? - É bem mais do que isso, acredita… Pode ser a morte de todos os sonhos e a memória de os trazer no peito…" in Nuvens passeantes pelas águas
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  O que são as emoções senão o manifestar da nossa essência? in Nuvens passeantes pelas águas

Um ontem tão hoje

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  Ainda a ouço dizer Desculpa, mas…, perante isto, não posso falar de surpresa, nada disso, pelo contrário, creio que uma parte de mim o esperava, Desculpa, mas… , tudo começou não quando nos conhecemos, mas quando nos fomos conhecendo, há pessoas que, nesta viagem a que uns apelidam de vida, nos fazem pousar a bagagem, respirar, e olhar as coisas, assim foi com ela, certa tarde falámo-nos e parecia que já nos conhecíamos, desde então, já não éramos somente mais dois estranhos, as vozes fizeram eco no interior de cada um, saímos, passeámos, ela vinha de um divórcio difícil, isso só acontece quando a ideia partiu da outra parte, percebi que ainda havia por ali muito sentir desordenado, quando falava dele, olhava noutra direcção, isso não me passou despercebido, assim como aquelas pausas que se prolongavam, sempre numa vã tentativa de imobilizar uma memória que se nos escapa entre os dedos famintos de um sentir do ontem, continuámos a sair, a passear, eu já com a minha bagagem tod...
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  Nunca te esqueças: o melhor professor da vida é a dimensão de horizonte do teu olhar! in Nuvens passeantes pelas águas

O lento esvoaçar das cortinas pela manhã

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Los veranos que te inventas, Sales del agua, eres de piedra. Ten cuidado, estoy muy cerca. Los Veranos, McEnroe   O maior paradoxo do desejo não está em procurar-se sempre outra coisa: está em se procurar a mesma, depois de se ter encontrado. Vergílio Ferreira ÍNDICE     Pai……………………………………………………………….. Mãe………………………………………………………………. Filho……………………………………..……………………….       Pai     - Estou a olhar, pela janela, a rua. Já reparaste, hoje cheguei a casa, cinco e pouco da tarde, a noite já abraçava o mundo, nessa altura, não sei porquê, sempre me pareceu despertar todas as dores adormecidas em nós… Lá vai a vizinha, do prédio em frente, com o cão à rua. Fá-lo mais de uma dezena de vezes por dia, incrível! Não achas? Viúva, o cão tornou-se-lhe o único parente, há tanta solidão no mundo… E tu, onde estás? - Deitado, a olhar não o tecto, mas paisagens idas… Às vezes receio afogar-me na melancolia que me habita… Ando sempre ...