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A mostrar mensagens de julho, 2025
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Se do outro lado não for melhor…

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  Uma das coisas que sempre a fascinou nos velhos foi aquela estranha familiaridade com a morte, como se já lhe conhecessem o rosto, daí a cuidada atenção com que lhes seguia cada palavra, como se por aí vestígios da verdade última das coisas, uma frase recorrente emitida pelos anciãos, Se do outro lado não for melhor, então, não vale a pena… , leva-a a uma profunda anuência interior, de facto, quanta verdade ali contida, Se do outro lado não for melhor, então, não vale a pena… , de certa forma, compreendia a indulgência que, volta e meia, os olhares de há muito derramam sobre os seus gestos, desajeitados e apressados a maior parte das vezes, a familiaridade com a morte, como se já lhe conhecessem o rosto, quando soube onde ia trabalhar, e em que funções, andou uns dias zangada com o mundo, pois, sempre aquela aparente liberdade em que nos movemos no hoje, a funcionária Ou aceita, ou perde o subsídio de desemprego, ela a ouvir, incrédula, ainda a balbuciar argumentos Mas, eu não ...
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Harmonia

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  Pensei que fosse mais fácil, enquanto a coisa era só uma ideia, mas depois, bom, quando a materializei, não tinha nada a ver, foi tudo tão penoso, quantas vezes, num desespero calado, me perguntei meu Deus, meu Deus, o que fiz da minha vida? Para ser mais claro, e até para organizar ideias, vou recuar ao que me parece ser o início de tudo isto, foi numa manhã de fim-de-semana, há pouco mais de três anos, percebia-se a chuva ininterrupta lá fora, apesar do quarto ainda em escuridão, despertei com o abraço dela, o seu corpo a colar-se ao meu, percebi-lhe as intenções, há muito que nós longe destas paragens, daí aquela urgência súbita que lhe acelerou o sentir, contudo, eu aquém de urgências e desejos, há muito que me redimia da obrigação conjugal, não se pode dizer que por culpa minha, não, pelo contrário, ela, nos últimos tempos, num descuido contínuo, as formas a alargarem-se, à noite, com a televisão, bolachas e chocolates em tropel, nunca fui de dietas, mas pareceu-me excess...
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O trolha, a anã e a parola

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Há muitos anos, um trolha assumiu os destinos de uma oficina, nada mais natural, n um contexto de tubos-de-escape, bielas, óleos e pneus , foi uma sucessão natural, no entanto, este trolha detinha as suas particularidades, quase como um distintivo, andava sempre com um colete que trazia à memória os retornados do Ultramar, confesso que lhe transmitia uma aura muito para além da sua oficina (um contexto de tubos-de-escape, bielas, óleos e pneus…), parecia um cidadão do mundo , e, em verdade, comportava-se como tal, tinha aquela irritante característica de gostar de se ouvir, mau augúrio, se temos duas orelhas e uma boca é precisamente para ouvirmos o dobro do que falamos, o trolha desconhecia esta máxima, talvez, no seu íntimo, achasse que tinha algo para dizer ao mundo, com um mínimo de atenção, bastava meio minuto para se compreender o logro, o trolha caminhava de paradoxo em paradoxo, e nem deste facto se apercebia, lá pelo bairro da oficina todos sabiam da sua proveniência, hoje ...