Não vivemos tempos estranhos, vivemos o terror de gente que se fecha na sua própria cela e atira para longe a chave libertadora, para ali fica, de costas para o mundo, nem sonha que “ao entardecer de hoje só poderá assistir por uma vez na vida”. in Anoiteceu
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A mostrar mensagens de fevereiro, 2022
O curral da Peida-Sentada II
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Muitos leitores têm questionado o destino dos porcos do curral da Peida-Sentada. Aqui chegados, pensámos abrir uma série: “As aventuras da Peida-Sentada”. Mas após a necessária reflexão, concluímos que uma porca não tem dignidade para ser protagonista de uma série, pelo menos, a Peida-Sentada. Contudo, resolvemos responder a algumas questões dos nossos sequiosos leitores: O que sucedeu ao porco baixo, de pernas arqueadas, com a trampa marcada até às orelhas, que grunhia alto na ausência dos outros ? E a porca dos dentes-de-esquilo? E o que é feito da própria Peida-Sentada? E da sua primeiro-ajudante, uma suína mais nova, que no focinho ostenta quase sempre um sorriso? A porca, de nome Peida-Sentada, após livrar-se dos indesejáveis, ou seja, de todos que se opunham à sua ascensão, julgou-se tranquila, porém, havia, pela quinta, quem se opusesse ao facto de os destinos da mesma estarem nas patas da porca, no curral reunia um quase consenso, afinal era uma requintada suína, co...
Este foi um daqueles dias que nunca devia ter existido…
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O toque da campainha indiciava qualquer coisa de desagradável. Sim, soava a obscuridade, talvez pela demasiada insistência, talvez pela cor das coisas, talvez pelo frio do mundo àquela hora. Resolve enfrentar o destino, uma decisão mecânica, sempre filha do momento, por outras palavras, órfã da reflexão, diante de si, uma jovem, com um colete a anunciar correspondência, ombro direito a ceder ao peso de contas, facturas, ainda mais facturas, de facto, aqueles ombros já não conhecem o peso das saudades, o seu olhar detecta, primeiro, uma pastilha mastigada numa cadência ostensiva, como se declarasse a insatisfação pelo trabalho desempenhado, ele num incómodo pela sonoridade do mastigar, ela a descascar o envelope, como se fruta suculenta, ele já a sentir uma amargura crescente, ao menos a pastilha, mastigada numa cadência ostensiva, a distraí-lo, embora o incomodasse, por fim, ela a estender-lhe uma primeira fatia, Tem de assinar aqui , ele a cumprir, a caminho uma segunda fatia, E...