Sempre que chego à margem do passeio, a minha mão ergue-se em busca de uma mais alta, firme, segura, que me levava até ao outro lado, sem antes proclamar Temos sempre de olhar para um lado e para outro, só então atravessamos, a frase acompanhada de gestos largos e expressões de seriedade, eu, sempre que na margem de um passeio, receoso daquela seriedade, talvez me observasse cada movimento, para ver se eu olho para um lado e para outro, e só depois atravesso, todavia, hoje, apesar da teimosia em erguer a minha mão, antes de atravessar, já não encontro uma mais alta, firme, segura, embora a sinta num lugar de mim, e ouça as recomendações no ouvir de agora, havia uma rua da cidade, que atravessava no regresso a casa, que, apesar da mão, das recomendações, o meu olhar já me esperava na margem oposta, no frio, na forma de castanhas, no calor, em gelados, quando ali desaguava, insistia com a mão mais alta, firme, segura, ou por aquele calor numa estranha forma de fruta que, por instan...