Caminha de olhar na calçada, enquanto a mão direita percorre a alça da carteira, como se a familiaridade daquela textura lhe apaziguasse uma qualquer estranheza recente. Quando se percebe próxima do destino, o olhar deixa aquele excesso de brancura, talvez pela hora, talvez por si, talvez pelo olhar, e procura abrigo no porto de um rosto. Já chegara, ali estava, sentada a uma mesa, cigarro entre indicador e médio, substitutos escrupulosos dos lábios, sorri para o movimento nervoso da carteira, que avança ao seu encontro. A carteira, por fim, descansa na calçada quente da tarde, enquanto o rosto se despe de uns óculos escuros, máscara do hoje, por ali nem risos nem lágrimas, apenas um hermetismo espelhado que acentua a horizontalidade inexpressiva de uns lábios, os óculos agora sobre a mesa desvelam um olhar que sente em demasia, o empregado, de radar apurado, aproxima-se, o olhar, em pudor, a descer, enquanto a voz se eleva tenuemente, Um café, por favor, entretanto, ...