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A mostrar mensagens de outubro, 2020
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Ecos de vozes idas

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  Neste momento, ia em viagem algures debaixo do céu do mundo. Sem pressa. No fundo, a melhor forma de se viajar. Gostava de viajar só. Sinal que gostava da sua companhia. Estes são os que reclinam a cabeça com facilidade. Aos outros, resta-lhes experimentar a contínua aspereza de cada travesseiro. Não há outra forma: nunca se encontra no mundo aquilo que não trazemos para ele. Mas ele, neste exacto momento, guiava na gratidão de um silêncio compassado. Fruía cada instante do percurso. Diante de si, abriu-se uma longa recta. Àquela hora matinal, ainda pouco trânsito. A visibilidade era boa, apesar dos resquícios de uma noite ida. Reparou, um pouco à frente, na berma da estrada, numa mão suplicante. Desacelerou espontaneamente, fruto de uma vontade de génese incógnita. Porquê? (Questionar-se-ia ele, mais tarde. Como resposta, apenas a memória de um gesto irreflexo, nada mais. Mas, ainda assim, tinha como resposta a memória de um gesto. Quantas vezes nem isso? Apenas os amargos fruto...
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O silêncio contido da alma no adeus ao corpo

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  Acordou numa sala demasiado branca, àquela hora iluminada apenas pela passividade indolente das frestas do estore, que horas seriam? Pelo alaranjado da luz, pensou em despedidas… Mas as auroras também se pintam pela timidez indecisa de uma cor intermédia. E ele deitado, num estar além-tempo, uma voz de si na entoação de um conselho: Não te levantes, não te levantes… De alguma forma, compreendia, sem sentir, o saber das palavras. Não se levantou. Assim permaneceu, naquele estar do desconhecido, apenas com a tepidez familiar da luz. Mas o rosto submerso na sombria alvura da divisão. Se ao menos um pouco de calor em si… Por uns momentos, sim, até à leveza reconfortante de um sonho sem corpo, deteve-se naqueles pregões iluminados de alvorecer. Se porventura um lhe passeasse pelo rosto… Por fim, cedeu a uma lei gravítica que nos impele a um regresso, sistemático, a algures de nós. No fundo, trata-se de uma queda. Sim, um pouco isso. Cedemos a um peso de outra ordem, e abandonamo-no...

Cansaço

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  Compreendemos que a vida nos venceu quando a nossa maior ilusão ( “Vamos mudar o mundo!”) nem na memória se passeia, o hoje apenas resignação, brinda-se “ A tudo o que podíamos ter sido…”, logo eu que nunca fui de conformidades, porém, vejo-me a levantar o cálice neste brinde (“ A tudo o que podíamos ter sido…”), sim, estou cansado, vou interromper aqui, pelo menos por cinco anos, estas prosinhas, depois verei se lhes regresso, sinceramente não queria, chega, faz mais de dez anos que escrevo estes textos, o primeiro foi no dia 19/02/10, já se completou mais de uma década, é tempo de caminhar por outras paragens, ou de regressar, não sei, confesso, a vida há-de decidir, numa destas tardes, em conversa, levantou-se a memória de uma amiga que já partiu, tinha por hábito correr restaurantes e cafés onde degustava as especialidades do seu agrado, ora se deslocava a um pelo bife com queijo, ora ia a outro pela coxinha de frango, por norma tudo iguarias bem calóricas, nada contribuía ...