Nuvens passeantes pelas águas
Desde criança sempre tive esta coisa de me perder a olhar horizontes, talvez o sonho de além conseguir pousar a bagagem da minha alma, os meus avós tinham um quintal rodeado de muros, quando por ali ficava, de imediato subia uma escada-de-madeira encostada num desses muros, ali ficava, o necessário, a olhar para Leste, hoje sei que essa escada-de-madeira estava encostada ao muro virado para Leste, à noite, pelo vidro da janela, pouco via para além dos muros, uma chaminé ali, o telhado de uma casa acolá, pouco mais, foi então que resolvi pegar numa enxada, apesar de pouco mais de dez anos, senti-me capaz de mudar o mundo, com uma década, o sonho acompanha-nos o respirar, e comecei a escavar o centro do quintal da casa dos meus avós, sabia, de antemão, que logo ecoaria um brado de minha avó, sempre atenta ao acontecer, apesar da dificuldade no manuseio da enxada, pelo comprimento associado ao peso para os bracitos de um miúdo de dez anos, não me demovi de a levantar aos céus para...