A beata maledicente II
Hoje levantou-se-me a lembrança de uma história que, na juventude, um amigo contou, havia, na rua onde ele morava, uma cadela que se fartava de parir, ao ponto de, segundo a sua descrição, enquanto deambulava pela rua, as crias já lhe caíam de forma natural, não fui o único receptor, na altura, ficámos entre a incredulidade, um esgar de riso e simultaneamente de horror, duas emoções, na aparência, tão antagónicas, não foi acaso iniciar a narrativa com esta reminiscência, ao saber da farta actividade parideira da beata maledicente, foi a imagem, da cadela a parir, ao longo da rua, que me surgiu, embora, aqui, faça uma ressalva significativa: é tão mais digno o animal! Se, porventura, o leitor tiver presente a anterior crónica sobre esta figura tétrica, lembrar-se-á de que a sua principal actividade consiste na maledicência, sobretudo num contexto familiar, onde se sinta à vontade para debitar boçalidades, temperadas com o seu peculiar toque beatífico, é capaz de caluniar indivíd...