Da latrina
Há certas criaturas que, devido à sua imundície, é dificílimo imaginar em certos contextos, como, por exemplo, a uma mesa, para redigir estas linhas, confesso, foi-me necessário um esforço desmesurado, por muito pródiga seja a minha imaginação, conceber estes dejectos sentados a uma mesa, com pratos e talheres, a degustar uma refeição, é do domínio da ficção-científica, assim sendo, levante-se a imaginação, mesa de jantar, personagens-tétricas há muito conhecidas, na cabeceira, o pároco-sabujo, com o seu peculiar focinho manhoso, a sua habitual postura de confessor inquisitorial, longe de posturas ululantes sentado em chaimites de pacotilha, a ilustrar mentiras, contadas a tolinhos, há cinquenta e dois anos, ai sabujo, sabujo, sei tão bem quem te espetava no chaimite, até o teu pulôver azul-clarinho ficaria irreconhecível, mas garanto-te um cravo no focinho para a eternidade, ao som de um grândola do cantaroleiro esquerdalho, passaste da batina para o avental num instante, ante...