Estás aí?
Sempre que passo na rua dela (no fundo, todos temos uma rua, não é verdade?), o meu olhar, como se uma inevitabilidade, fixado na sua janela, numa imortal esperança de que assoma, à noite, não sei porquê, a esperança reforçada, tantas vezes lhe imaginei a silhueta, talvez pela janela iluminada, de facto, só eu e a rua deserta, nem o tradicional rafeiro por ali deambulava, em busca dos despojos de solitários jantares, dou por mim a pensar quantos, a essa mesma hora, perscrutam janelas na esperança de uma silhueta, a questão evola-se, só me interessa a minha circunstância, como desejava ali a reencontrar, em verdade, que os anos atravessassem outros caminhos, jamais esta rua, tudo permanecesse intacto, numa aura miraculosa, primeiramente eu, aqui reside o maior paradoxo, pois eu sou outro, de mim só o desejo subsiste (mas não este será parte da minha essência? Então, como poderei ser outro?), a rua, estranhamente, afigura-se-me a mesma, só os carros testemunham o rio do tempo, pois são...