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A validação da alternadeira

  Após o período de férias, mais que merecido num bordel, todos regressam aos seus postos de trabalho, sorridentes e felizes, há que angariar mais clientes, zelar pelo seu espaço e morder pelas costas (que mais resta a estes invertebrados cobardes?), foi vê-los, um a um, entrar com a máscara da felicidade, alguns, por ignorados motivos, nem o sol viram, como é o caso do tintim, a bichona partiu de férias roliça e pálida, regressou igual, ao contrário das outras, onde, mal ou bem, lá se descortinou uns fortuitos encontros com o sol, a palidez desta bicha, como é óbvio, levantou algumas questões, tudo comentado, de forma natural, nas suas costas, ninguém lhe queria ferir susceptibilidades, é uma bicha deveras sensível, e de língua afiada nas costas alheias, previsível, bichona que se preze tem de ser ágil com a língua, a seu lado chegou a porcachona, a porca-mor do pântano, uma das predilectas da alternadeira, não há imundície a que esta se furte, chafurda como poucas naquele lamaçal...

Desencanto

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  Para ela, regressar, desde que se lembra, sempre uma aura de derrota, se lhe pedissem para explicar, nem uma sílaba emitiria, talvez por senti-lo nas funduras do ser, onde o verbo nem à porta ousa bater, como agora, descortinava-lhe um sorriso, apatetado, no rosto, os filhos, atrás, em tumulto, não olhava a estrada, perdida no labirinto dos seus pensamentos, em verdade, do sentir, uma notória tristeza ameaçava submergi-la, desde o início, da viagem, ali só o seu corpo, não que desejasse continuar a estadia, a partir de certa altura, aquela rotina – casa, praia, casa, praia, casa, praia…   – causou-lhe um enjoo que, em determinada ocasião, fê-la abrir a torneira e correr água fria sobre os pulsos, ouvira em algum lado este conselho, pelo menos, permitia-lhe, por uns minutos, abstrair-se do estatismo diário, há mais de uma década assim eram as férias, um apartamento, não disfarçava o tempo, alugado, a Sul, a distância da praia exigia automóvel, de certa forma, ela não descor...
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Rio Pranto II

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  Ao olhar para o fundo da rua, mais ou menos quando as janelas em volta se iluminam, e a única palavra que faz sentido é regresso, ainda se lembra dos gritos e das portas que batiam, mas o que lhe doía mais era o facto de as portas se fecharem diante de si, como se lhe gritassem inclementemente indesejado , o cenário mudou várias vezes, rés-do-chão, segundo-andar, chegou a conhecer um sexto-andar, e uma cave, contudo, os gritos e o bater de portas subsistiam, o inclemente grito de indesejado também, havia outros pontos em comum, das janelas só a sombra dos prédios em volta, às vezes, ele olhava o passeio para, entre as pedras, sossegar a vista numa fragilidade verde que por ali despontava, não eram necessários muitos passos para conhecer as escassas divisões, regra geral, apenas uma salita, com uma amostra de cozinha integrada, um quarto, e, para as necessidades básicas, um quadrado onde havia sempre qualquer coisa avariada, de uma lâmpada fundida a uma torneira que teimava em ...
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Estás aí?

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Sempre que passo na rua dela (no fundo, todos temos uma rua, não é verdade?), o meu olhar, como se uma inevitabilidade, fixado na sua janela, numa imortal esperança de que assoma, à noite, não sei porquê, a esperança reforçada, tantas vezes lhe imaginei a silhueta, talvez pela janela iluminada, de facto, só eu e a rua deserta, nem o tradicional rafeiro por ali deambulava, em busca dos despojos de solitários jantares, dou por mim a pensar quantos, a essa mesma hora, perscrutam janelas na esperança de uma silhueta, a questão evola-se, só me interessa a minha circunstância, como desejava ali a reencontrar, em verdade, que os anos atravessassem outros caminhos, jamais esta rua, tudo permanecesse intacto, numa aura miraculosa, primeiramente eu, aqui reside o maior paradoxo, pois eu sou outro, de mim só o desejo subsiste (mas não este será parte da minha essência? Então, como poderei ser outro?), a rua, estranhamente, afigura-se-me a mesma, só os carros testemunham o rio do tempo, pois são...
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