Desencanto II
A viagem longe do seu fim, ela continua perdida algures entre pensar e sentir, neste momento a imagem da pastelaria, do outro lado da rua, após levantar o estore, ficava, por um pouco, a olhá-la, chamava-se “Primavera”, apesar de só no Verão a visitarem, devolvia-lhe familiaridade, um desses lugares que sempre nos pareceu esperar, tão distante das confeitarias da sua terra, onde a vista se perde na infinidade dos artigos expostos enquanto, na proporcionalidade, o apetite diminui, uma questão levantou-se-lhe, embora rapidamente se diluísse, “Quando, por acaso, ele levantava o estore, alguma vez se perdeu a olhar, do outro lado da rua, a pastelaria?” Essencial um casal olhar na mesma direcção, quando sucede o contrário, a distância começa a ser irrecuperável, no banco traseiro o barulho dos miúdos recomeça, nunca quis ser mãe, as coisas aconteceram, compreendeu, no devido tempo, que a vida nos engole no seu tumultuoso caudal, de pouco adianta bracejar, desde que se colocou a ques...