Rua das Açucenas
Não regressava, há cerca de seis meses, ali, à rua das Açucenas, mais precisamente ao rés-do-chão, daquele segundo prédio, do lado direito, caminhava a olhar a calçada, pelo seu pensar, a conversa de há pouco, ele tão insistente “Não precisas de ir sozinha, eu arranjo um tempinho e acompanho-te… Bem sei o que a tua avó significava para ti… Não te fará bem regressares só àquela casa… Tantas recordações te esperam… A memória ultrapassa-nos sempre…,” na altura, não ligou muito, era um desafio que teria de enfrentar, tinha isso presente e determinou-se a tal, no entanto, esta frase não a abandonou “ A memória ultrapassa-nos sempre…,” nem parecia dele, pouco dado a tão profundas reflexões, do telemóvel para um écran, de um écran para o telemóvel, a certa altura, ambos se acomodaram à relação, dobrara a meia década, não havia exigências, por exemplo, entre eles, de filhos, de forma alguma se queriam aprisionar a tão exigente projecto, lá se lhes ia o tempo, um bem que ambos gostavam ...