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Rio Pranto II

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  Ao olhar para o fundo da rua, mais ou menos quando as janelas em volta se iluminam, e a única palavra que faz sentido é regresso, ainda se lembra dos gritos e das portas que batiam, mas o que lhe doía mais era o facto de as portas se fecharem diante de si, como se lhe gritassem inclementemente indesejado , o cenário mudou várias vezes, rés-do-chão, segundo-andar, chegou a conhecer um sexto-andar, e uma cave, contudo, os gritos e o bater de portas subsistiam, o inclemente grito de indesejado também, havia outros pontos em comum, das janelas só a sombra dos prédios em volta, às vezes, ele olhava o passeio para, entre as pedras, sossegar a vista numa fragilidade verde que por ali despontava, não eram necessários muitos passos para conhecer as escassas divisões, regra geral, apenas uma salita, com uma amostra de cozinha integrada, um quarto, e, para as necessidades básicas, um quadrado onde havia sempre qualquer coisa avariada, de uma lâmpada fundida a uma torneira que teimava em ...
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Estás aí?

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Sempre que passo na rua dela (no fundo, todos temos uma rua, não é verdade?), o meu olhar, como se uma inevitabilidade, fixado na sua janela, numa imortal esperança de que assoma, à noite, não sei porquê, a esperança reforçada, tantas vezes lhe imaginei a silhueta, talvez pela janela iluminada, de facto, só eu e a rua deserta, nem o tradicional rafeiro por ali deambulava, em busca dos despojos de solitários jantares, dou por mim a pensar quantos, a essa mesma hora, perscrutam janelas na esperança de uma silhueta, a questão evola-se, só me interessa a minha circunstância, como desejava ali a reencontrar, em verdade, que os anos atravessassem outros caminhos, jamais esta rua, tudo permanecesse intacto, numa aura miraculosa, primeiramente eu, aqui reside o maior paradoxo, pois eu sou outro, de mim só o desejo subsiste (mas não este será parte da minha essência? Então, como poderei ser outro?), a rua, estranhamente, afigura-se-me a mesma, só os carros testemunham o rio do tempo, pois são...
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  ... de repente, uma casa espaçosa cabe numa mala, ninguém ouse predizer o rosto do amanhã... in Distância

Distância

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  O outro surge-nos, na maioria das vezes, de forma indirecta, ou seja, pela boca de quem nos rodeia, neste aspecto, confesso a minha independência de espírito, registo a informação, mas aguardo o necessário para retirar as minhas ilacções, felizmente nem sempre coincidentes com as bocas alheias, neste caso há uma ambivalência, a seu tempo lá iremos, ela despedia-se do Outono da vida, uma fase, desconheço a razão, em que quase tudo se releva e compreende, se há insistentes atrasos no trabalho (“Coitada! Já trabalhou que chegue! Quando chegar à idade dela, estarei bem pior… Temos de compreender. Muito bem está ela!”), se zarpa bastas vezes mais cedo (“Não quis dizer, mas deve ir ao médico… Talvez alterar a medicação… Algum problema que quis guardar para si… É muito discreta…”), certo é que alguém cumpriria o seu papel, quando apanhava gente manhosa, como este mundo é pródigo nesta espécie, os problemas multiplicavam-se-lhe, e ninguém escapa, na sua caminhada, a cruzar-se com estes...
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