Pelas costas tudo se diz, tudo se faz…
Compreendi, há uns tempos, por estes lados, haver uma geração a viver às custas dos dividendos da anterior – propriedades, imóveis, jóias, quantias herdadas, enfim, tudo o que possua cifra –, por norma, apresentam uma postura arrogante (autênticas figurinhas que gostariam de passar por figurões, mas uma figurinha jamais chegará a figurão, aqui reside o paradoxo), sapientes de algo que os próprios desconhecem na sua infinita ignorância, como se, pela circunstância de nada terem construído, de palpável, com o seu engenho e esforço, por outras palavras, o conceito de trabalho ser-lhes deveras longínquo, uma realidade insondável, horários para cumprir, transportes-públicos, as omnipresentes contas mensais, a verdade que o comum cidadão conhece até ao fel da sua essência, pelo simples facto de não ter o privilégio de um porto-de-abrigo providenciado pelos seus antecedentes, pudessem opinar sobre tudo que julgam ver, assim sendo, sem horário para cumprir, os dias avizinham-se longos e ...