Espera mais um pouco
Tudo começou com uma pequena insinuação. Ou talvez já não me lembre. Bom, mas tudo tem um início, certo? No entanto, a sua morada é o ontem. Nós, de mão dada, naquele passo arrastado de quem vira costas ao tempo, ele a entrelaçar os dedos no meu cabelo, a caminho do jardim, não sei porquê, mas ele lá devia pensar que eu gostava de jardins, ou talvez fosse o seu ideal de romantismo, não sei bem, sentávamo-nos sempre no mesmo banco, em frente do lago, eu perdida com os patos, havia neles qualquer coisa de patinadores, enquanto isso, a mão dele em passos tímidos, a princípio, fingia-me distraída, sim, sempre apreciei patinagem artística, quando a timidez foi trocada pela resolução, apelei ao respeito apenas com o olhar, a mão dele recuou desengraçada, como se uma culpa, de súbito, iluminada, seguia, agora, os volteios alados sobre a superfície espelhada, sim, o seu olhar partiu assim que encontrou respeito, sob uma expressão invernosa, no meu rosto, no dia seguinte, uma vez mais, ...