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A mostrar mensagens de setembro, 2025

A Nininha

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  Hoje a Nininha completou sessenta Invernos, nem todos se podem vangloriar de somar Primaveras, é o seu caso, rasteira, maldizente, sabuja, até de estatura não se distancia muito do chão, o focinho está a meio-caminho entre uma mulher-a-dias e uma freira arrependida, a indumentária também oferece o seu contributo para este quadro, mobiliza-se por sombras e esquinas, rasteira, maldizente, sabuja, volta e meia surge de bandolete, o que lhe confere um ar ainda mais rural, como se a massa grisalha, que lhe preenche o cocuruto, necessitasse de tal ornamento, encostou-se a um desses trabalhos estatais onde o único requisito exigido é: um perfeito analfabeto-funcional; embora, como é evidente, a Nininha some outras distintas aptidões: rasteira, maldizente e sabuja; apesar da sua estatura não se distanciar muito do chão, a Nininha julga-se mais esperta que os demais, coloca uma expressão de seriedade, quando em diálogo, no entanto, a um olhar mais atento, tudo se desmorona ao reparar naqu...
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  Um homem e uma mulher desconhecem tempos e lugares. in A noite aproxima-se e o dia está quase findo

A noite aproxima-se e o dia está quase findo

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  Não quero dar esse passo sem o teu consentimento… Mas está-me a cansar a tua indiferença. Quantas vezes terei de te repetir que isto é importante para mim? Quantas? Diz-me! Sinceramente, às vezes, parece-me que tens dúvidas sobre nós… Não sei… Nem ousava replicar, ouvia-a com uma expressão algures entre o interesse e a apreensão, e desejava que o tempo se levantasse e prosseguisse a sua marcha, assim, logo a sua atenção num acaso qualquer e o meu sossego restituído, de facto, só aquele assunto para me desassossegar por inteiro… Nem por um qualquer recanto de mim essa possibilidade se colocava, não sei porquê, ela, volta e meia, de novo a falar de berços, enxovais, chupetas, e demais utensílios inerentes à paternidade, nem ouso expressar o meu sofrimento quando, pelos passeios, nos cruzávamos com um casal embevecido a passear o recém-chegado no seu carrinho, de quando em vez, paravam, levantavam a cobertura do carrinho, depois de se certificarem de que por ali ainda se respirava...

Quando partir, gostava de ali ficar

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  Em Agosto rumamos a Sul, desde que me lembro, como se tratasse de uma passagem de testemunho, primeiro como filhos, depois como pais, onze meses a correr de casa para o trabalho e a arrastarmo-nos do trabalho para casa, um rito diário que nos faz desaprender o tempo, cinco dias cumpridos numa ânsia crescente que desagua em dois, tão efémeros que nem a mala se consegue pousar, pomposamente apelidados de fim-de-semana, para logo tudo se reiniciar sem jamais despir a sua aura absurda, que surge apenas aos olhares mais atentos, quando férias, aí vamos em excursão para Sul, de certa forma, sempre achei que quem não fizesse parte daquela rumaria se auto-excluía de algo insigne, não sei porquê, há coisas que nos passam pelo pensar, no entanto, desconhecemos o emissário, no meu caso, o Sul sempre foi o mesmo, é curioso, assim que ouço a palavra férias, a imagem daquela povoação de casas brancas, o rio a encontrar a verdade salgada do mar, e um silêncio sobre as coisas que nos relembra ...
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Nada

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  A tua questão traz-me à memória uma amiga da minha irmã, estava quase a chegar aos trinta, vivia maritalmente, mãe de dois filhos, viviam numa rulote, no parque-de-campismo, foi o que conseguiram, apesar de o sonho dela em adquirir uma casa , no entanto, o pecúlio mensal de ambos mal cobria as despesas obrigatórias, ele de biscate em biscate, ela, durante o dia, repositora num super-mercado, de noite, trabalhava numa empresa de limpezas, apaixonaram-se demasiado novos e pensaram que fosse para a vida, o descuido habitual da paixão originou o primeiro filho, eram só namorados, com surpresa foram os pais dele a reagir pior, os dela, apesar da avançada idade, separados, a mãe suportava o existir alienada pelo álcool, o pai, quase sempre, com o rosto velado pelas capa e contracapa de um livro, a certa altura, segundo ouvi dizer, já nem de casa saía, gabava-se de Tenho aqui livros suficientes para ler até à minha morte, por conseguinte, não podiam contar com a ajuda de nenhum dos lado...
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  Certas frases não nos largam, por muito que as tentemos lançar para longe, elas sentam-se num qualquer canto de nós, e ali ficam a olhar-nos, um conjunto de palavras que formam um sentido do que fomos, somos, ou quisemos ser... in A história do homem que se abrisse uma chapelaria, todos passavam a nascer sem cabeça

A história do homem que se abrisse uma chapelaria, todos passavam a nascer sem cabeça

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  Estavam dentro do carro há largos minutos, talvez fosse de tarde, ele só entusiasmo, ela apenas lhe acompanhava gestos e frases, com anuências apreensivas, de repente, ele abre a porta, sai, ela segue-o, vão ter com um sujeito que os aguarda, de pasta na mão, expressão e gestos plásticos, tudo num excesso de artificialidade, ainda uns metros a separá-los, o sujeito da pasta já com um enorme sorriso e a mão erguida em rotundas saudações, após os cumprimentos, Vão ver que este é o espaço ideal! Tem duas excelentes montras. No piso de cima, estamos a falar de uma área útil à volta dos oitenta metros quadrados, na cave, desde já ressalvo que dá um excelente armazém, estamos a falar de cerca de cento e cinquenta metros quadrados! Imagine! Se quiser, até pode subalugar parte do espaço, repare, é só uma ideia… Ela, neste ponto, pensou em manifestar o seu desagrado ao sujeito da pasta, por, subitamente, o seu discurso se alterar para o singular, mas continuou impassível, como espectado...