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A mostrar mensagens de fevereiro, 2025
Para quê??? III
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Não obstante “Aqui jamais serei feliz! Eu não pertenço a este lugar!”, por questões profissionais, teriam de ali permanecer, no mínimo, um ano, ela, sempre mais maleável, adaptou-se perfeitamente à sua nova realidade laboral, apesar das distâncias, quantas vezes as interrogações daquele familiar lhes regressaram (“Vocês têm a certeza? Acham que é uma boa opção? Sempre aqui viveram… Não sei, até a casa parece-me ser bastante deslocada dos vossos trabalhos… Mas, claro, é a vossa vida…”), as estradas tão diferentes das que estavam habituados, sinuosas, estreitas, esburacadas, pejadas de camiões e camiões, tripulados por trolhas e trolhas, numa lentidão exasperante, a vegetação em volta negra, contorcida, imóvel, funesta, nas margens imundas era comum ver-se espelhos de degradação, tudo numa aparência de normalidade, nalguns casos em idade de estar a caminho de uma escola, ali estava o esplendor da decadência, tudo ao alcance da vileza de quem se senta atrás de um qualquer volant...
Para quê??? II
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Há uma questão que nos assalta, durante a vida, pelo menos três vezes, ele experienciou-a, assim que estacionou o carro, naquela tão comprida garagem – parecia um carrito de brincar ali colocado pela mão de uma criança, havia algo de enternecedor na sua solidão no meio daquele amplo espaço, dele parecia emanar um grito envergonhado de desamparo –, pela primeira vez (“O que fui fazer à minha vida?! ”), viveu este drama no silêncio de si, embora lhe denotasse um entusiasmo contido, como se caminhasse por terrenos desconhecidos, não se podia permitir inquietá-la com os seus dramas, a mudança levou-lhes cerca de metade das férias, o restante seria para se adaptarem, sentiram-se, desde o primeiro instante, olhados, pelos locais, como estranhos, uma indizível, mas tão palpável, barreira, talvez provenientes de um outro mundo, apesar dos laivos de urbanismo de alguns campónios, uma das piores misturas possíveis, que infelizmente foram conhecendo, também eles, em verdade, não d...
Para quê??? I
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Foi um acaso a levá-los até ali, há quem lhe chame destino, facto é que, de repente, estavam perante um sonho há muito ansiado, não regressaram sem, pelo menos, demonstrar interesse e verbalizar um acordo, no regresso, entre eles, até o diálogo se agilizou – os silêncios, por vezes, instalados dentro do carro, atirados para bem longe –, planos e mais planos, aos conhecidos gabavam, exaustiva e repetidamente, a sua recém-descoberta, e futura aquisição, sublinhe-se, a temática das conversas não ia muito para além disto, houve quem se afastasse, por fastio, cansaço, até por inveja – um dos aspectos mais recorrentes e simultaneamente tão subvalorizado –, cerca de um mês depois, daquele acaso, há quem lhe chame destino, que os levou a estar perante um sonho há tanto ansiado, a temática das conversas perdurava, até porque o acordo verbal passaria a escrito, aqui um familiar resolveu intervir (“Vocês têm a certeza? Acham que é uma boa opção? Sempre aqui viveram… Não sei, até a casa...
Asini dantur paleas et non loquantur
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Há uns dias, por imperativos de consciência, tive de escrever a frase que intitula esta crónica, aproveito para traduzir ( “Aos burros dá-se palha e não conversa”), a uma manifesta jumenta, pelo menos fiquei com a consciência tranquila de ter realizado a boa acção de 2025: obriguei a BURRA a consultar um qualquer tradutor; o problema é a impressionante facilidade com que se reproduzem estes asnos e como estão disseminados por todos os sectores da sociedade , no entanto, dividem-se entre: os burrinhos (humildes, obedientes, cumpridores…) e os BURROS (analfabetos-funcionais com laivos de doutorice, a projectar uma imagem de sapiência tão aquém do seu conteúdo, e com uma pronta opinião sobre qualquer temática, como se, por um minuto sequer, alguma vez tivessem reflectido sobre a mesma ou tivessem tal condão: o de pensar! Dissimulam a sua insegurança através de frases-prontas, proferidas com a devida sonoridade, anseiam por auditório que ouça as suas boçalidades, de burrinhos (humi...
Luar de Inverno III
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Perante a coreografia da hospedeira-de-bordo, com as cansadas normas de segurança, para quem está habituado a viajar na companhia das nuvens, ambos ficaram atónitos, ela, de início, quase em risos, o pudor lá prevaleceu, para se manter impassível, apesar de questionar o seu crédito, ele optou por imaginar, em caso de desastre, se aquelas recomendações bastariam, assim que as luzes se desligaram, uma voz sem corpo ordenou a colocação dos cintos-de-segurança, o aparelho começou a rolar na pista numa crescente velocidade, até que, até que, as rodas se desprendem da terra, um instante imperceptivelmente sentido por todos, a ânsia impronunciada e secular de o homem tactear os céus, está gravada na alma de cada um, são os que mais olham as alturas a sentir gratidão pelo adeus à terra, em baixo só contemplaram luzes e luzes, um carro ali, outro acolá, numa angustiante solidão, até que o mundo se tornou um oceano de trevas, lamentaram, sem verbalizar, a hora do vôo, tanto que ela desej...