O Maqueiro-Barrigudo
Há figuras que necessariamente levam tempo a ganhar relevância em nós, não foi o caso em apreço, desde a primeira troca de palavras, compreendi estar perante um singular e eloquente vulto cultural, a primeira frase que lhe retive foi, no fundo, a sua carta-de-apresentação “Sou maqueiro, sim, sou maqueiro”, assim, lacónico, expressivo, devidamente audível, digno de reflexão, em verdade, até esse momento, por muito que vasculhasse na memória, não me recordo de ter conhecido um maqueiro, muito menos um que tivesse gáudio em sê-lo, foi num contexto, do hoje, onde saúde e vaidade se fundem, que o conheci, saúde e vaidade parecem conceitos antagónicos, no entanto, o hoje é o território da estranheza, por conseguinte, as fronteiras esboroaram-se, a alguém interessa este cenário, voltando à nossa personagem, já dobrara os sessenta, contudo, o seu gritante anacronismo provinha de uma manifesta ruralidade nos modos e palavras, treinava com uns andrajos, as calças próximas de umas...