Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2018
Imagem
Nunca choramos a morte dos outros, mas sim a nossa saudade. in Pouso Feliz
Imagem

Só nascemos no dia em que nos conhecemos

Imagem
A música viaja-nos pela memória, ilumina paisagens que julgámos esquecidas, levanta-nos dias que atirámos para um qualquer canto obscuro de nós sem direito a um porquê, no fundo, mostra-nos quem fomos, quem somos, por onde caminha o nosso sentir, por onde andou, e até onde se perdeu, às vezes de onde dificilmente ressurgiu, neste ponto, recordo-me bem, guiava ameno, longe de tempestades doutrora, mas temperado pela sua presença, havia nela qualquer coisa de uma tarde de Domingo, como se um guião há muito conhecido, porém, de onde não podiam surgir naufrágios, às vezes, é o suficiente, e, neste ponto da minha vida, aprendi e bem, a valorizá-lo (…)

Já ninguém morre por amor?

Imagem
Ontem saí da tua rua com a alma na sola dos sapatos. Não imaginas o que me custou deixar-te! Não acreditas? O quê? Achas que digo isto a todas? Estás bem enganada! Se encontrares alguém que te ame 1/10, do que eu te amo, dá-te por feliz. Não, disto não podes duvidar! Queria tanto ter ficado contigo… Estive quase a ceder à vontade de subir, de adormecer a teu lado, abraçados apenas, às vezes é o suficiente, não achas? Parece que o próprio amor se eleva, não sei… Reparei que olhaste para trás, ainda no passeio, palavra de honra, sei que me vou repetir, mas não sei como consegui sair da tua rua, perdia-me a olhar-te pelo retrovisor, nem sei como foi possível fazer aquela curva à esquerda, de repente, alguém entra no espaço do nosso viver e torna-se personagem principal, é isto que se passa, tu és a personagem principal do meu existir! Não, por favor, não fales dela, dos filhos, fala somente de nós, já viste, parece que estamos destinados a viver várias vidas no espaço de um só ...
Imagem
Imagem
"... lembra-se no outro dia, lá no café, estava a servir-me, enquanto a sua mão, com a chávena, num movimento descendente em direcção à mesa, eu a desejar que o mundo se esquecesse de nós, a sentir o seu perfume, porventura barato, mas sempre honrado, nisto, os nossos olhares a encontrarem-se, e uma linguagem além-palavra, no fundo, quanto dissemos de nós naquele instante, eu acho que lhe disse tudo, você também algumas coisas, uma súbita sombra de timidez pelo seu rosto, eu a distanciar-me de mim, a perder-me nesse novo continente que era a sua face, você, apesar da timidez, permanecia na honra de me suster o olhar..." in Olhos que se olham, almas que se tocam
Imagem

Nós temos sempre a idade do momento

Imagem
Uma das piores coisas da vida é ver um erro grosseiro repetir-se, bem diante de nós, sem que nada possamos fazer para alterar o rumo do acontecer, isto geralmente devolve-nos um sentir de orfandade, uma regressada incompreensão das coisas, como se nos aproximássemos de uma janela, para vislumbrar a ansiada paisagem, contudo, quando estamos mesmo a chegar, mesmo a chegar, quase a sentir a brisa no rosto, logo se fecha, com estrondo, diante da nossa incredulidade, mas uma questão impõe-se: por que é que permitimos que um grosseiro erro se repita? De facto, se houvesse resposta para tal, eu teria sanado do meu existir tão nefasto regresso, em vez de assistir, impassível, ao seu desenrolar, bem diante de mim (...)
Imagem
Percebi-lhe, aos primeiros olhares, uma miríade de emoções, entre a alegria de me ver e a dor infinda de se saber sentado, esmagado de encontro aos seus sonhos moribundos, mas é curioso, assim que trocávamos as primeiras frases, restabelecíamos a nossa singular empatia, que nos levava, madrugadas infindas, a confidenciarmos a alma, enquanto ouvíamos melodias que nos relembravam quantos já fomos nesta vida… in Harmonia
Imagem
Imagem
Imagem
Sabe que havia fila para o ver? Havia quem esperasse horas! Pois, eu bem sei, é muito fácil compadecer-nos com o mal dos outros, mas é extremamente difícil alegrarmo-nos com o seu bem, nessa altura, ele estava tão aquém desta verdade, e de muitas outras, a sua única verdade, naquele fatídico momento, assentava numa crescente vã esperança de que estivesse mergulhado no maior pesadelo da sua vida. Mas para quem está confinado a um leito hospitalar, a olhar, pela primeira vez, a frieza branca da cal daquelas paredes, que à noite parecem amplificar as inaudíveis dores da alma (e como a sua lhe doía!), talvez um rosto familiar mitigasse o naufrágio de se ser, ou talvez relembrasse o quanto se afastou de uma outra vida… in Harmonia

O carácter incomunicável da dor

Imagem
Quando chega a hora de voltar para casa, a que muitos apelidam de regresso, ela sempre acometida por um sentir de orfandade, a plena consciência de que é um ser sem lar (de que sempre o foi), uma pressa generalizada domina gestos e passos à sua volta, ela apenas hesitações, há três meses vira-se obrigada a retornar à casa materna, precisamente àquela de onde sempre quis partir, mas não voltou só, fazia-se acompanhar por uma frágil mão dentro da sua, umas dezenas de centímetros abaixo, à sua volta, agora, frases recorrentes ( Até amanhã! Ainda ficas? Não vens? Então, adeus… Vais fazer serão?), porém, ela ainda sentada, procurava, talvez, o segredo da existência (a compreensão da derrota)...