Por onde andas?
Desde que o miúdo saiu de casa, pareces outra, desinteressada de tudo, antes, Vamos ao cinema? , eu, no sofá, já por paisagens distantes, a rezar que não falasses, para, assim, não me obrigares a regressar, no entanto, logo que um passo, a tua voz em cada canto da casa e de mim, Não me digas que já estás a dormir, eu, contrariadíssimo, a abrir um olho, a negar a evidência com a cabeça, a reforçar ainda Que disparate! Só fechei os olhos um bocadinho, por causa desta dor de cabeça, porém, tu sempre convicta, Vai tentar enganar outra! Caramba! Já nem um programa vês comigo, e acrescentavas sempre aquele golpe fatal: Pareces um velho! Aí chegados, só podia reagir, E tu pareces uma avozinha! Basta ver a forma como tratas o miúdo! Quase te babas só de olhar para ele, sabia que te acertara, sem qualquer necessidade, sempre esta carência de arenas, de nos retalharmos, as palavras de hoje, os gumes de outrora, o teu olhar pelo tapete, duvido que te levantasses, nesse ponto, optavas pelo...