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A mostrar mensagens de dezembro, 2019

"DESLUMBRAMENTO"

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PEDRO DE SÁ Deslumbramento   Há uma vaga brisa. Mas a minh'alma está com o que vejo menos. Com o paquete que entra, Porque ele está com a Distância, com a Manhã, Com o sentido marítimo desta Hora, Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea, Como um começar a enjoar, mas no espírito. In Ode Marítima Álvaro de Campos ÍNDICE PASSADO PRESENTE FUTURO PASSADO   - Porquê? Consegues explicar-me? O que se passou ao certo? - Explicar? O que há para explicar? As coisas são como são. Para quê, agora, estarmos a teorizar acerca de factos? - Porque o hoje constrói-se no ontem, e não acho correcto seguirmos em frente, sem compreender o acontecer… Não sei, gostava de saber a tua opinião, agora que já passou ta...
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Todas as ruas deviam ter o mesmo nome: Rua dos Sonhos Sepultados . in Deslumbramento

Com a Idade Aprende-se a dizer Adeus

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Desceu a escada na dificuldade própria do acumular do tempo. Uma mão na bengala, a outra numa súplica muda – para quem? Por fim, sentiu o chão do mundo e saiu para a rua. Era crescente a sua distância em relação a tudo o que via. Primeiro, pela ligeira traição do ouvir – embora daí não se importasse, algo de latejante, em si, sussurrava que nada perdia. Em segundo, pelo espectáculo oferecido: uma velocidade contrastante com a sua lenta fragilidade, automóveis no lugar de pessoas, que a obrigavam a odisseias rodopiantes, rostos fechados, num emudecimento obstinado, que a faziam suspirar pelo vazio crescente de espaços outrora ocupados. Iniciou a sua jornada. Ao passar debaixo da sua janela, ouviu o matinal canto do seu pássaro. Olhou para cima, numa retribuição muda de agradecimento, pelo estímulo da familiaridade. Morava no primeiro andar, de um prédio sexagenário. Numa dessas ruas da capital, onde o sol pede permissão para entrar. Era uma casa pequena. Apenas duas assoalh...
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Nunca se esqueça: Nós somos enquanto formos! O eco apanhou-me já o elevador quase no rés-do-chão, e acompanhou-me durante dias, confesso que demorei o meu tempo, sempre o necessário de cada um, a compreender-lhe a essência.  in Harmonia

Uma Mão Estendida para o Nada

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Ali estava ele, sentado na calçada de uma movimentada rua da cidade (Qual?), de mão estendida. Devia ser de tarde. Mas ele há muito desinteressara-se do tempo dos outros. Observava os passantes na ânsia da dádiva. Alguns devolviam-lhe uma certeza que, de alguma forma, conseguira soterrar em si, através de um olhar inflexível. Estes eram sempre os mais apressados. Geralmente, andavam munidos de uma pasta. Transpareciam uma confiança, em cada passo, que o deixava atónito. Como se soubessem, em algum recanto interior, que o destino era um servo submisso à espera das suas instruções no alpendre. E ele, a sentir, simultaneamente, o frio e a dureza da calçada, nutria compaixão por eles. Mas uma compaixão sincera. Como se os olhasse de um cume, e os soubesse na dura inclinação da encosta (...)
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Aproxima-se a hora da partida

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“À noite falamos melhor!”, gritei para o interior escurecido da casa, apesar da manhã no seu auge, ela sempre com os estores corridos ou as cortinas fechadas, desde aquele dia, creio que foi por aí, antes de fechar a porta, ainda insistiu, “Mas pensa bem no assunto! Vê lá se reflectes! Fiquei de lhe dar uma resposta”, repeti “À noite falamos melhor!”, não tive alternativa, fechei a porta, desci as escadas e saí para a luminosidade da manhã, a vista demorou-se a adaptar, baixei o olhar, por uns segundos, antes de iniciar a marcha, como se um rito diário, tal a escuridão onde vivia, enquanto caminhava, o meu pensar regressou, não sei bem porquê, ao seu pedido, havia nele quase um tom de súplica (“Mas pensa bem no assunto! Vê lá se reflectes!”), sem me dar conta, era o que fazia, reflectir no seu pedido...

Anúncio Televisivo: "DESLUMBRAMENTO"

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Talvez no futuro, ele queira contar histórias passadas entre verdes e azuis, de quem olha por janelas, e sonhe alcançar num gesto aquele barco que vai em direcção a Sul. in  Foi no alto de uma colina, que aprendi a olhar o Mundo

Uma janela que não mais se iluminou

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Perdi a conta, nesta vida, às janelas que não mais se iluminaram, sempre me fascinou, da rua, contemplar, ao alto, uma janela iluminada, como se um vestígio do dia na noite infinda, um obstinar de luz perante o inclemente avançar das trevas, e um pressentimento de calor, de partilha, de conforto, no fundo, o essencial do existir, porém, perdemo-nos tanto atrás de menoridades, por vezes, acabamos mesmo por nos perdermos, também eu procuro esta essência (calor, partilha, um pouco de conforto), e sempre, em mim, esta coisa de olhar o passado, de cristalizar o acontecer, afinal, no meu pensar não há passado, presente e futuro, tudo perdura num espaço (sem vozes silenciadas, rostos desvanecidos e gestos apagados)...
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