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Mensagens
A mostrar mensagens de outubro, 2019
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Se continuássemos, hoje seríamos um desses casais que se suporta, onde as temáticas de conversa pouco além vão do circunstancial, nem se recordam da última vez que se tocaram, e, o pior de tudo, compreendem-se estranhos presos a um equívoco – náufragos a partilhar o mesmo destroço… Há coisa pior? in Deslumbramento
A biografia do objecto
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Volta e meia isto acontece, ultimamente com mais frequência, quando saio de uma divisão da casa e apago a luz, fico, da ombreira da porta, a olhar o horizonte escurecido, sobretudo o chão, porque ali persiste uma luz num incessante movimento (afinal, a memória é um eterno presente), a percorrer aquele trajecto octal...
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(…) duvido que esta pergunta atormente, no hoje, algum daqueles que foram para a rua, naquele dia, jogar à bola pela última vez com os amigos de infância, acho que pensamentos assim só no meu espírito encontram espaço, talvez por não perder demasiado em ânsias de me juntar ao “Coro dos Tempos”, sempre me senti anacrónico face ao correr das coisas, como se habitasse em todos os tempos e simultaneamente em nenhum (…) in A noite do mundo
A biografia do objecto
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Assim que sinto o ar da tarde quase finda pelo rosto, uma sensação de paz e simultaneamente de derrota, pelos candeeiros acesos em volta, num prenúncio de sombras pelos passeios, estamos naquela altura do ano em que caminhamos pelo mundo apenas sob a noite, saímos alumiados pelas longínquas centelhas nocturnas, regressamos com o seu despertar num céu que se vai anoitecendo, daí esta ambivalência no meu sentir, se no Verão a luz cega-me e o calor guia-me os passos para cenários marítimos, agora esta luz enfraquecida ilumina o pormenor das coisas, embora pese no pensar, talvez por se fazer acompanhar do passado de cada um de nós, daí o meu desconforto, creio que a minha alma é um lugar lá atrás (…)
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O tempo: talvez seja a maior das ilusões. Só percebemos a sua passagem pela ruína que nos tornamos. E o incessante somar de ausências à nossa volta. De resto, fecha-se os olhos, e o ontem está no hoje: num rosto, uma melodia, um lugar… E no rarear do sonho… Quando deixei de sonhar? Sei lá! Foi há muito, isso sem dúvida. E a esta realidade ninguém foge. in Deslumbramento
A noite do mundo
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Há uns dias, ouvi de alguém a seguinte frase: “ Receio por si após terminar o livro”, pois, e eu terminei o livro, compreendi a frase, inteligente, sopesada, a sua amplitude pelo contexto, mas, repito, terminei o livro, e a questão maior levanta-se-me: E agora? E agora? Mais de seis meses nisto, escrever, corrigir, reler, reescrever, apontamentos, notas, reflexões, de novo, escrever, corrigir, reler, reescrever, por fim, o mais desejado e simultaneamente o mais doloroso, despedir-me, como se dissesse adeus a um familiar próximo, lá vai seguir o seu caminho, ser alvo de múltiplas interpretações, algumas tacteiam o que ali verti de mim, outras distantes, nem pelo horizonte do que por ali testemunhei, contudo, nem ouso uma correcção, não tenho esse direito, de facto, ninguém o tem, direccionar uma interpretação, espartilhá-la, velho e sabido, cada um acede à obra com a sua ”chave”, daí haver tantos livros quantos os seus leitores, filmes quantos os seus espectadores, neste momen...