O respirar da noite
Saía com o cão, todas as noites, à mesma hora, no passeio, logo à entrada do prédio, um casal de namorados, ela sua vizinha, abraçados, em juras de amor eterno, olhou-os com indulgência, sabia que, à maioria, um casal de namorados apenas suscita azedume e inveja, pelo sentir jamais reencontrado, ao contrário, ele em compaixão pela magia que iriam inevitavelmente perder, tarde ou cedo a vida encarregar-se-ia de lhes subtrair aquelas juras de amor eterno, a insaciável vontade de permanecerem abraçados, o perder-se no olhar do outro, como se uma inevitabilidade o esboroar daquele encantamento, de imediato, ambos cumprimentaram-no, retribuiu, a vizinha não resistia a umas festas no cão, o rapaz mais contido, em verdade, nunca olhamos para um casal de namorados, mas sim para a nossa história de então, a indulgência dele era fruto da saudade daquele sentir, apenas isso, como a tentou reencontrar, tudo em vão, demorou tanto a compreender este facto, e como sofreu, ainda a tempo resolv...