Àquela hora a sala estava cheia. Afinal, era uma da tarde. Ele ocupava a mesa de sempre. Olhos no prato. Não bem no prato. Em qualquer outra coisa. No ar, múltiplas vozes numa só conversa, talvez, no fundo, se trate de uma só voz, sempre demasiado alto, que se desdobra pelas diversas mesas, num assunto oco, balizado entre o queixume e a projecção. E ele a olhar para a comida, sem qualquer vestígio de apetite. Só sente sede. A sua afinidade está com o copo. Tem sede de se esquecer (de si?)... Ainda não levara o garfo à boca, e a garrafa em metade. Agora roda o copo, vazio por enquanto, firme na mesa, com o médio e o polegar. Roda, e roda, e roda… E no copo, não se consegue encontrar, nem agora, nem em momentos idos. Pega na garrafa. O copo, desta feita, escarlate. Sim, agora vê-se um pouco. Um sorriso, embora de há muito. Na mão, um saco transparente com pipocas. Ela ocupada com o algodão doce. Cor-de-rosa, sim, lá está. E, na frente deles, um carrossel, num apelo, sem lugar ...