Opúsculo
“Porquê essa coisa de estar permanentemente a juntar palavras? Há quanto fazes isso? E, já agora, para quê?!”, não me recordo do instante em que a deixei de ouvir, a questão deve ser sempre singular, impõe-se-lhe uma dignidade contemplativa, havia, da sua parte, uma nítida acrimónia com este meu lado de correr atrás de palavras, “Receias algo? Que possa contar alguma história nossa?”, foi a sua vez de concluir que a questão deve ser sempre singular, impõe-se-lhe uma dignidade contemplativa, “Tenho lá tempo para receios! E a quem interessaria alguma história nossa? Só não compreendo a razão de perderes tanto tempo a juntar palavras, palavras e palavras… Ainda por cima, não te conheci assim…,” como lhe conseguia explicar algo que, em verdade, me ultrapassava por inteiro, não se exprime um desígnio, concretiza-se, “Tens olhado à tua volta? Em que mundo andas? Lamento informar-te, mas já ninguém lê! O mundo está inclinado para um rectângulo!!! Quer paliativos, pensos-rápidos, distr...