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A mostrar mensagens de dezembro, 2023

A quem nasce pobre só resta o sonho

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  Antes de a questão perfurar a fragilidade inata do silêncio daquele lar, já ele a aguardava, ainda sentado, com uma revista aberta, mas a olhar, sem ouvir, a televisão, notícias, talvez porque sempre as mesmas, desemprego, crise, portas que se fecham, gente com malas a caminho de um qualquer lado, onde tecto sobre a cabeça e um pouco de pão na mesa, e sempre aquele sublimado medo, medo, medo a perpassar por entre as palavras, como se cansara disso, foi talvez quando, por fim, percebeu que tantos caem para necessariamente outros, poucos, muito poucos, se guindarem, uma história que caminha à mesma velocidade que o homem, de repente ( Já estás pronto? ) a voz dela em cada canto da casa, não era difícil, uma salita com vista para um diminuto quarto, num dos lados, um balcão divisor a proclamar o espaço de qualquer coisa relacionada com refeições, a timidez branca de uns escassos electrodomésticos a balbuciar a sua existência por entre os dois únicos bancos altos visíveis, ele lev...
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 ...  a nossa compreensão das coisas é muito limitada, sempre vemos o mundo da ilha de nós... in O lento esvoaçar das cortinas pela manhã
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Palavras para quê? É um astronauta português!

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  A primeira palavra que o ser-humano aprende, ao contrário do que muitos pensam, é Não. E porquê? Porque é da nossa natureza reagir perante a adversidade, quando, ao longo da vida, se ouve poucas vezes o Não, está potenciado o cenário para a indolência, preguiça, irresponsabilidade, e demais companheiras de curtas viagens… Hoje resolvi contar, nem por acaso, a história de uma personagem que tão pouco contemplada foi com o mágico Não, mais novo de meia-dúzia de irmãos, centrou em si, como habitual neste contexto, todo o mimo e atenção possíveis, com o Não diluído do horizonte, só resta mesmo empurrar a vida com a barriga, que, nem por acaso, se avolumou, de forma proporcional, ao somar das décadas, o liceu ficou por completar, porém, este facto logo sublimado por uma postura muito comum naqueles a quem os livros inclinam a cabeça para o chão do mundo: a arrogância do intelectual de pacotilha! Era vê-lo, rua acima, rua abaixo , com um volume, denso o suficiente, para não passar de...

A ascensão dos medíocres

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  Não me lembro de como e onde tudo começou, no entanto, de repente, percebo-me de caneta na mão, um caderno de linhas aberto à frente, sozinho numa secretária, à minha volta mais secretárias, também ocupadas por uma só figura, era uma sala comprida, para o rectangular, do lado esquerdo, três grandes janelas envidraçadas iluminavam quanto baste todo o espaço, via uma grande ardósia sem qualquer escrito, e um sujeito, com um circunspecto ar professoral, deambulava, de mãos atrás das costas, por entre nós, regresso-me na hesitação compassada de idoso, já me lembro, foi à hora de jantar, meu pai a irromper, casa adentro, um prospecto na mão, a chamar-me, Já viste? Já viste? É a tua grande chance! Eu hesitante entre a sua entusiasmada expressão, os gestos largos, e, só no fim, a perceber-lhe o prospecto, ele a assentar as grandes mãos sobre os meus ombros, sempre que isso sucedia, diante de mim só a palavra responsabilidade , Percebeste? É a tua grande chance! Nisto, a estender-me o ...
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