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A mostrar mensagens de fevereiro, 2026
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Se regressar, espero lá nos encontrarmos

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  Não sei porquê, de repente, o meu olhar em lentos passos pelo seu rosto àquela hora, devia a tarde estar no auge, ou talvez já caminhasse um adeus, ele sentado à janela, na cadeira do costume, sempre com a rua, ou talvez não, pousei o que me ocupava o momento (e penso que mais vezes devia ter pousado o que tanto me ocupou os momentos…), enterneci-me com a expressão que ostentava, o menino do ontem e o velho do hoje num duelo para ver quem ocupava mais espaço naquele rosto, não se apercebeu de que pousara o que me ocupava o momento para o olhar, a luz de adeus do exterior, não sei porquê, inclinava as coisas a favor do menino do ontem, os cabelos de prata tornavam-se dourados, os sulcos da vida impressos na face tornavam-se difusos no jogo de sombras daquela hora, aproximei-me, não se apercebeu, sempre a rua, talvez aí procurasse o menino do ontem, estendi-lhe a mão e encaminhei-o para dentro, a dificuldade em se levantar acentuava-se, ainda há uns dias, a nossa mais velha A mãe...
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  ... a absoluta consciência de a felicidade ser uma ilusão, por ser passageira do passado… Todos a procuram no amanhã, porém a sua morada é no ontem! in Nuvens passeantes pelas águas

"A ascensão dos medíocres"

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  Nos caminhos do sonho, o tempo não tem porta-de-entrada… in Nuvens passeantes pelas águas
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Só tenho o sol e a lua

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  Se me perguntassem, hoje, se o voltaria a fazer, a minha resposta seria sim. Não há como lhe fugir. Confesso que me custou depois, e as lágrimas que não caíam, acho que foi a primeira vez que chorei para dentro, parecia que as lágrimas vinham do mundo para mim… Tudo começou no final de uma manhã, a campainha, o meu filho a entrar, percebi-lhe, pelos passos do olhar, que me ia pedir algo, como se fosse o menino que ainda guardo em mim, primeiro, a olhar à volta, passos lentos na minha direcção, a voz pausada e serena, quase a soletrar Sabes, mãe… Começava, sempre que queria algo, assim a frase ( Sabes, mãe… ), com a voz pausada e serena, neste caso, falou-me da possibilidade de um negócio qualquer com o meu genro, um café, lá do bairro, estava para trespassar, não por falta de liquidez, ressalvou logo, apenas o cansaço e a idade do casal, há anos que o homem dizia aos clientes Estou a ficar fora de prazo! Qualquer dia, passo isto e regresso à minha terra. Não quero morrer sem cu...
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  ... nós, juntos, brilhávamos em demasia – até o mundo parecia invejar-nos… in Nuvens passeantes pelas águas
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  A questão que nos devemos colocar é: ao olhar para trás, faríamos alguma coisa diferente? in Nuvens passeantes pelas águas

O homem do sorriso triste

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  Todos os anos é a mesma coisa, após as férias, aí vem ela, naquele seu jeito acelerado, com os meus dois netos, o meu filho sempre cinco a seis passos atrás, entra e senta-se sem o mínimo de um providencial com licença, nunca me habituei a isto, nem quero tal coisa, houve quem já me dissesse Não ligue! Ignore, que é o melhor que faz… Esta geração é assim! Que se há-de fazer? A isto, eu respondo Educação desconhece idades ou gerações. Simplesmente, ou se tem ou não, repito, nunca me habituei a isto, nem quero tal coisa, mas, como dizia, ela já sentada, os miúdos ainda no corredor, o meu filho, coitado, a fechar a porta de casa, a relatar-me as férias, para melhor ilustrar o vazio das suas palavras, socorre-se do rectângulo do hoje, a forma do indicador aterrar na superfície envidraçada confere-lhe, confesso, uma ilusória noção de elegância, que, em verdade, nem ela nem os seu desengonçados gestos possuem, contudo, na aparência tudo é sempre uma outra coisa, e ela, coitadita, de ...
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Nunca te esqueças de uma coisa sobre quem te rodeia: a resposta está sempre no teu peito. Quanto mais depressa aprenderes a ouvi-lo, menos te enganarás! in Nuvens passeantes pelas águas

Adeus, Shane

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Adeus, Shane

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  Sempre que me falam de cinema, é a cena final, deste maravilhoso filme, que me povoa, não sei porquê, ou talvez saiba, afinal, não há questões sem resposta, teria os meus doze anos quando, lá por casa, meu pai Tens de ver este filme! Ouvi-o e, de imediato, assenti, regra geral, sempre que meu pai ( Tens de ver este filme! ), acertava, neste caso, foi mais além… Não, não vou relatar pormenorizadamente a história, enaltecer as interpretações, realçar o tom crepuscular de todo o filme, bem como o sublimado triângulo amoroso, a magistral banda sonora, nada disso, vou simplesmente centrar-me no efeito que, após ouvir o lamento daquele miúdo ( Adeus, Shane ), teria mais ou menos a minha idade, aquele serão provocou em mim. De facto, há coisas, nesta vida, que nos espelham a geografia da alma, uma pessoa, um livro, um filme, uma música, até uma paisagem, nessa noite, oscilei entre o miúdo que era e o herói que partia ao crepúsculo, após cumprir a sua promessa ( De não haver mais armas...
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  A escrita respira como a vida: sob a luz, tudo flui, com as trevas, tudo se adensa... in Nuvens passeantes pelas águas