A quem nos faz desaprender o tempo
Senta-se. Abre o livro. E esquece-se de si. Agora é um outro que olha vidas, e aprende-se nessa tentativa de as perceber. Páginas vão passando enquanto a luz muda à sua volta, ele agora num canto longínquo, sim, um pouco do livro já o habita, as páginas continuam o seu desfile, neste momento com a ajuda de um candeeiro, quando, de repente, uma questão, levanta-se, olha à sua volta, ouve barulho num canto da casa, pareceu-lhe de pratos, dirige-se para lá, segura o livro debaixo do braço, num esmero consciente, da porta pede apenas um pouco de tempo para a interrogação, mas o jantar, o cansaço, agora talheres, mais louça, ele a capitular, encaminha-se para outra divisão, dominada por uma voz estridente, acelerada, que repete a cada cinco segundos a palavra esférico , numa cadência obstinada, de novo, da porta pede apenas um pouco de tempo para a interrogação, um mais logo, mais logo, sem rosto, muito rápido, quase fugidio, baixa o olhar, vira costas, afasta-se, a voz estridente, ...