Há lugares que, sem sabermos muito bem como, se tornam nossos parentes, talvez por, enquanto caminhamos por essas ruas, uma voz, sussurrante ao ouvido, nos aquietasse angústias, ao mesmo tempo nos relembra que, ao menos, por ali, já desejámos amanhãs, ele, neste momento, encontra-se num desses sítios, sentado a uma mesa, suficientemente afastada da entrada, pelo menos o sol não chega e a lua não relembra lar, sabe que inclina a garrafa pela segunda vez, mas não se lembra da primeira, é curioso, a convicção sem a memória, não olha à sua volta, apenas o copo, e a garrafa, apesar da perspectiva geral da sala, desta vez, o copo mais lentamente, quer saborear aquele gosto crescente da distância das coisas, algo em si se aquieta, subitamente, repara no seu olhar aparecido no fundo, não é a primeira vez que se olha, e se estranha, mas, hoje, há uma qualquer diferença, antes evitava olhar-se, mesmo ao espelho nunca, em verdade, se olhou, afinal, observar não é olhar (o que vê ele, após...