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A mostrar mensagens de março, 2018
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Rua dos Amores Perfeitos

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Olhe, não sei porquê, mas há ali qualquer coisa que não bate bem. Sabe, ninguém me tira isto da cabeça, desde que a vi, o pateta, tudo embevecido, a trazê-la, ainda por cima, de mão dada, lá a casa, a virar-se para nós “Pai, Mãe, esta é a Matilde”, ela, de pastilha na boca, a cumprimentar-nos, não sei se foi a pastilha na boca, a expressão, o jeito, ou o conjunto, mas houve, logo ali, algo que me desagradou profundamente, ou talvez o desagrado proviesse dele, percebi, assim que nos apareceu com ela, como estava perdido, sabe como é, quem já passou pela coisa, reconhece logo os sinais, e a forma de lhe dizer o nome, quase levantava os pés do chão a cada sílaba (Ma-til-de), uma tristeza, ela só olhava à volta, como uma recém-chegada salteadora a avaliar o potencial do saque, sentaram-se no sofá maior, bem diante de mim, o tolinho continuava a dar-lhe a mãozita, ela a aceitar entre o enfado e o dever, a mãe (é curioso, já nem me lembro quando assim comecei a chamá-la: mãe. Como ...
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Um sapato velho atirado para a estrada

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Volta e meia, a ideia da morte. Não é nada de novo, embora, nestes últimos tempos, com mais insistência. Desde criança, parte de mim, na altura desconhecia o porquê, invejava os que partiam, por vários motivos, primeiro, porque iam finalmente conhecer a Verdade, um pouco como aqueles que assistem à sessão de cinema anterior à nossa, e, para nosso desgosto, à saída vêm a comentar o final do filme, e nós nem na sala ainda entrámos, segundo, por raras vezes, deste lado, ter encontrado conforto, sempre o peso de existir em demasia sobre os ombros, a evidência de que nada é como queremos, de que o sonho não encontra a porta de entrada no espaço do viver…