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A Paçoquinha

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Há quem defenda que a primeira imagem, do outro, é a prevalecente, há quem advogue o oposto, a última é a que perdura, sou, de facto, apologista da segunda, hoje, no entanto, vou levantar a memória de uma personagem em que primeira e última imagens coincidem, se houve coisa subtraída pelo tempo foi paciência para conversas de pacotilha, lugares-comuns, esterilidades, jogos-de-equilíbrio sob a vigilância do tirano politicamente-correcto, aquele estranho cenário onde se desfilam aparências e se velam essências, no fundo, o dia-a-dia, foi neste palco que conheci a figura que intitula estas linhas, num contexto predominantemente masculino qualquer elemento feminino, por muito nebuloso que possa ser, afigura-se logo um dia bem solarengo, foi este o caso, embora houvesse aqui a variável: cabelo-solto, cabelo-apanhado; o sotaque além-Atlântico, há uns bons anos, assumia uma conotação tropical, inóspita, talvez por maioritariamente, nessa altura, só o encontrarmos nos écrans caseiros, com...
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  No fundo, vivemos condenados a dois mundos: o nosso e o dos outros: e os nossos dias vivem-se nesta ténue fronteira: sonhamos em nós: mas ferimo-nos no dos outros… Há quem lhe chame vida. in Do outro lado do rio, há uma margem  

A dolorosa sombra de uma ave

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  Entra no carro, coloca a chave, acende-se aquela multiplicidade de luzes, de seguida, o motor audível ao mesmo tempo que um tremor percorre a viatura, antes das mudanças, olha aquela janela com que se tem vindo a familiarizar (desde há quanto?), nisto, uma mão em acenos e ele em sorrisos, afasta-se numa marcha lenta que transparece a sua contrariedade, isto só sucede quando a vontade entra em asfixia, a mão, na janela, ainda em acenos, ele a retribuir com os faróis enquanto se afasta, àquela hora já poucos carros, a noite há muito que se instalara, liga o rádio num intervalo de mudanças, mas não ouve a música, apenas a voz de si que lhe repete, até à exaustão, a mesma pergunta, os candeeiros, na berma da estrada, repetem-se numa cadência sem amanhã, como se a noite fosse o destino do mundo, sabe que ela ainda estará acordada, sim, nunca adormece sem ele chegar, a última desculpa para entrar a estas horas começa a estar fora de prazo, primeiro foi o trabalho, ultimamente o despo...

Espera mais um pouco

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  Tudo começou com uma pequena insinuação. Ou talvez já não me lembre. Bom, mas tudo tem um início, certo? No entanto, a sua morada é o ontem. Nós, de mão dada, naquele passo arrastado de quem vira costas ao tempo, ele a entrelaçar os dedos no meu cabelo, a caminho do jardim, não sei porquê, mas ele lá devia pensar que eu gostava de jardins, ou talvez fosse o seu ideal de romantismo, não sei bem, sentávamo-nos sempre no mesmo banco, em frente do lago, eu perdida com os patos, havia neles qualquer coisa de patinadores, enquanto isso, a mão dele em passos tímidos, a princípio, fingia-me distraída, sim, sempre apreciei patinagem artística, quando a timidez foi trocada pela resolução, apelei ao respeito apenas com o olhar, a mão dele recuou desengraçada, como se uma culpa, de súbito, iluminada, seguia, agora, os volteios alados sobre a superfície espelhada, sim, o seu olhar partiu assim que encontrou respeito, sob uma expressão invernosa, no meu rosto, no dia seguinte, uma vez mais, ...
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  Por fim, num passo lento, dirigem-se para a estalagem. Tanto foi dito naquele instante de silêncio e de dedos entrelaçados. Apenas, dessa forma, se compreende a dor. Porque só, assim, é possível comunicá-la. E havia tanta dor neles e entre eles. Como se os submergisse. No fundo, a dor é a noite da vida. Turva horizontes, mas ilumina essências. in, Do outro lado do rio, há uma margem

Do outro lado do rio, há uma margem

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   Levantar………………………………………………………………………………… Caminhar……………………………………………………………………………….. Cair………………………………………………………………………………………   Nós somos feitos do mesmo estofo dos sonhos, e a nossa curta vida está encerrada entre dois sonos.                                                                              Shakespeare (in A Tempestade )   … pois a vida e a morte são uma só coisa, como uma só coisa são também o rio e o mar.   Tende fé nos sonhos, pois neles se encontra a porta da eternidade.            ...