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Carne-podre aos cães e às cadelas

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  Chegou aquela altura do ano, neste canil, onde cada rafeiro verá se tem ou não recompensa pelos seus préstimos, entre as gratificações está o lugar que ocupam (ter cobertura, ser mais próximo da comida, entre outras regalias…), os passeios pelos campos adjacentes, muito apreciado entre os rafeiros – pois, de facto, neste canil só há rafeiros, mas todos têm direito à vida, como é sabido –, o número de desparasitações anuais, as possibilidades de adopção, para aceder a este leque de benesses, os rafeiros têm imperativamente de demonstrar a sua subserviência aos donos, neste caso, um casal, constituído por um idoso e uma mulher de meia-idade, a porta do canil abre-se, os rafeiros logo com as orelhas em alerta, surge-lhes a figura dela a arrastar um saco, o idoso uns passos atrás, velado por uma sombra, uma autêntica criatura das trevas, pelos ares do canil um pestilento cheiro a putrefacção, ela abre o saco e atira o primeiro pedaço de carne-podre, cai ao pé de uma cadela de nome Po...

Ali onde não há ontem nem amanhã

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  De vez em quando, regresso-me àquele lugar, não sei porquê, no acaso do dia, a imagem irrompe pelo meu pensar, e ali me fico, de novo, como se nunca tivesse partido, a luz peculiar, a harmonia dos sons, a doçura leve do ar, tudo a envolver-me, porém, sei-me no desconforto distante da minha circunstância. Quando férias, sub-repticiamente, tento elencá-lo como uma possibilidade, ela, de imediato, refuta, sempre com a mesma argumentação, de tão repetida, já lhe conheço a sequência, as noites frias, a escassez de diversões, a água gelada, o vento, sempre o vento, constante, no fundo, é mais uma brisa, mas ela, logo, a exponenciar a coisa, por vezes, devido à convicção das suas afirmações, quase acredito que um desconfortável vento frio no lugar de uma reconfortante brisa do entardecer. Mas, como é sabido, qualquer relacionamento é um incessante confronto por uma ascensão face ao outro, por muito que se argumente em contrário, para se sentir é preciso ser-se, e só se é na afirmação, n...
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  - Humor e beleza nasceram para se partilhar… Riso e deleite, no singular, estão condenados à esterilidade. Não concordas? in Nuvens passeantes pelas águas
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O manguinhas-de-alpacas

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  Hoje regresso a esta figurinha, no fundo, bem ou mal, todos conhecemos um manguinhas-de-alpacas, as próximas linhas corroboram este facto, as últimas desta figurinha é que, através de uma lista única (veja-se bem o arrojo, lista única…), se candidatou a um lugarzito onde obterá mais visibilidade, todo o manguinhas-de-alpacas deseja palco, é-lhes inato, para o efeito, até convidou o nosso conhecido tintim, pois, esse mesmo, o que tanto se bamboleia a andar e muito anseia por um beliscão nas nalgas, quiçá seja desta com o manguinhas, em tempos dúbios, nada como piscar o olho a todos os sectores do eleitorado, não vá haver entre os votantes mais homossexualidades reprimidas, pelo que se avizinha, o manguinhas tem via-aberta para o ambicionado lugarzito onde, por fim, obterá mais visibilidade, talvez, desse modo, prestem a devida atenção às suas sempre sapientes palavras, é vê-lo, quando puxa pelo verbo, o rosto em solenidade, como se dali adviessem verdades seculares há tanto ansi...
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