Hoje regresso a esta figurinha, no fundo,
bem ou mal, todos conhecemos um manguinhas-de-alpacas, as próximas linhas
corroboram este facto, as últimas desta figurinha é que, através de uma lista
única (veja-se bem o arrojo, lista única…), se candidatou a um lugarzito onde
obterá mais visibilidade, todo o manguinhas-de-alpacas deseja palco, é-lhes
inato, para o efeito, até convidou o nosso conhecido tintim, pois, esse mesmo,
o que tanto se bamboleia a andar e muito anseia por um beliscão nas nalgas,
quiçá seja desta com o manguinhas, em tempos dúbios, nada como piscar o olho a
todos os sectores do eleitorado, não vá haver entre os votantes mais
homossexualidades reprimidas, pelo que se avizinha, o manguinhas tem via-aberta
para o ambicionado lugarzito onde, por fim, obterá mais visibilidade, talvez,
desse modo, prestem a devida atenção às suas sempre sapientes palavras, é
vê-lo, quando puxa pelo verbo, o rosto em solenidade, como se dali adviessem
verdades seculares há tanto ansiadas, mas o que se pode esperar de uma
figurinha, com penteado de primeira-comunhão, casaquinho de bombazina (e eu que
sempre me enterneço ao ouvir este termo, bombazina, logo se me levantam imagens
de infância…), com um discurso atamancado, pejado de lugares-comuns, de onde as
ideias há muito partiram? Se é que algum dia por ali pousaram… Se podia ser
vendedor de viaturas em final de existência? Qual a dúvida?! Com o seu
casaquinho de bombazina, o penteado de primeira-comunhão, é vê-lo, quando puxa
pelo verbo, o rosto em solenidade, “Digo-lhe uma coisa, tem aqui
um carrito para a vida! Não duvide, para a vida! Venha, venha, sente-se ao
volante, inspire, sinta a máquina, já viu, este carrito respira novo…,” quem ousaria colocar em causa tais verdades
seculares?! Se podia ser vendedor imobiliário? Qual a dúvida?! Vendia, num
ápice, um rés-do-chão todo virado a Norte, numa zona de frequência duvidosa,
pejado de infiltrações, como se de um Éden se tratasse, com o seu casaquinho de
bombazina, o penteado de primeira-comunhão, é vê-lo, quando puxa pelo verbo, o
rosto em solenidade, “Confesso-vos uma coisa: hoje é a quinta visita que
faço a este imóvel! Nem imaginam: a procura, nesta zona, tem sido galopante…
Dificilmente encontram, no mercado, uma casa assim: com tão boa relação:
qualidade/preço… Excelente disposição solar, boas áreas, próxima de serviços e
transportes, já percebi que, daqui amanhã, virá um herdeiro… Acreditem, as
escolas, aqui da zona, são conceituadíssimas!”, quem ousaria colocar em causa tais verdades seculares?! Se podia ser
pastor de uma seita religiosa? Qual a dúvida? Convertia, em segundos, o mais
acérrimo descrente, com o seu casaquinho de bombazina, o penteado de
primeira-comunhão, é vê-lo, quando puxa pelo verbo, o rosto em solenidade, “Irmão,
ouve-me, aproximamo-nos do fim, não duvides, dias de incerteza e de névoas, só
a luz de Cristo nos pode guiar, ainda há tempo para te arrependeres e
regressares ao caminho da salvação… Não coloques objecções, simplesmente
arrepende-te da dúvida e aceita Cristo como teu Salvador,” neste ponto seria profícua a ajuda da beata-maledicente, sim, essa
mesma, a parideira de difamações pelas costas, cada uma lá encontra a sua forma
de parir, é-lhe mais confortável pelas costas, e que grande parideira ali está…
Se podia ser vendedor talhante? Qual a dúvida?! Com o seu casaquinho de
bombazina, o penteado de primeira-comunhão, é vê-lo, quando puxa pelo verbo, o
rosto em solenidade, a vender carne-podre como ninguém, “Oh freguês, já viu
este naco do lombo? Tem aqui uma peça da melhor qualidade! Se quiser, até lhe
faço um desconto, fica entre nós… Deixe-se estar, que a preparo já… Digo-lhe
uma coisa, quando chegar a casa, ponha logo no forno, tem um manjar garantido
para toda a família… Não duvide: é de comer e chorar por mais…”, pois, a questão devia ser invertida: O que
não podia ser o manguinhas-de-alpacas? Praticamente tudo o que envolvesse honestidade,
seriedade, frontalidade e resquícios de inteligência… É pedir muito? Por estes
dias, alguma dúvida?! Não por acaso, estas figurinhas, no hoje, pululam como nunca, cientes da
sua mediocridade procuram, de todas as formas, maquilhá-la, nem que, para o
efeito, recorram a um casaquinho de bombazina, ao penteado de
primeira-comunhão, e, ao puxar pelo verbo, o rosto em solenidade, apenas
saem frases sofríveis que espelham o diminuto intelecto de um eterno
manguinhas-de-alpacas.
Livros do Escritor
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O manguinhas-de-alpacas
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