Um adeus pronuncia-se com o olhar
Puseram um prato na mesa para ela? Era hora de jantar, e, uma vez mais, a questão. Há quantos dias se repetia? Ele, à entrada da sala, com um ar convicto de cada sílaba, eles com um entreolhar púdico, a mãe a virar-se ao mesmo tempo que anuía, o pai a censurar-lhe o silêncio e a anuência, ele a afastar-se, sentia-se a satisfação pela resposta materna, por fim, o pai Isto não pode continuar! A mãe a concordar com a razão, mas a negar com o sentir. Chegada a refeição, ele a olhar, não o prato limpo, mas a cadeira por ocupar. Um espaço vazio grita sempre demasiado alto! A levantar-se da mesa, com o estrépito necessário para traduzir o incómodo que o habita, a mãe a secundá-lo, o pai, de novo, em censura de olhares, mas a optar pelo silêncio, já havia ecos demasiado gritados por ali, ele a fechar a porta antes da mãe, ouviu-se um correr excessivo da janela, a mãe impedida pela chave de entrar, o terror sob a forma de um grito, o pai a levantar-se enquanto os talheres num movimento op...