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Um adeus pronuncia-se com o olhar

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  Puseram um prato na mesa para ela? Era hora de jantar, e, uma vez mais, a questão. Há quantos dias se repetia? Ele, à entrada da sala, com um ar convicto de cada sílaba, eles com um entreolhar púdico, a mãe a virar-se ao mesmo tempo que anuía, o pai a censurar-lhe o silêncio e a anuência, ele a afastar-se, sentia-se a satisfação pela resposta materna, por fim, o pai Isto não pode continuar! A mãe a concordar com a razão, mas a negar com o sentir. Chegada a refeição, ele a olhar, não o prato limpo, mas a cadeira por ocupar. Um espaço vazio grita sempre demasiado alto! A levantar-se da mesa, com o estrépito necessário para traduzir o incómodo que o habita, a mãe a secundá-lo, o pai, de novo, em censura de olhares, mas a optar pelo silêncio, já havia ecos demasiado gritados por ali, ele a fechar a porta antes da mãe, ouviu-se um correr excessivo da janela, a mãe impedida pela chave de entrar, o terror sob a forma de um grito, o pai a levantar-se enquanto os talheres num movimento op...

Em que dia perdi o tempo?

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Caminha por um sonho. Agora, estuga o passo. Ainda mais. Talvez se queira perder, por inteiro, naquele território em que ainda é ela e simultaneamente uma outra coisa. De forma lenta, mas ainda tão longínqua, algo lateja em si, a passada a serenar, cada vez mais, cada vez mais, até se imobilizar, e, apesar de estender a mão para diante, sabe o malogro de tal gesto. Talvez pela extenuada repetição. Talvez por só conhecer o caminho de regresso. Talvez pelo inominável do que somos. Antes de abrir os olhos, já uma canseira pelo que ia encontrar. Um choro lateral, oriundo da outra cama, ali no quarto. Ela indiferente. Como se tudo, ali à sua volta, já um passado de uma outra vida, apesar da dor no baixo-ventre, como se uma queimadura, sim, os pontos recentes, o sofrimento que aprisiona uma memória, como é verdade: há memórias que só aportam no cais da dor… A mão, agora, esboça um gesto em direcção àquele latejar, mas, de novo, se suspende. Ouve a porta a abrir-se, uma cortina que se corre, ...
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Quando temos um livro aberto, há sempre uma multidão entre nós e o mundo... in Anoiteceu  
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 D e jovem sonhadora a mulher anoitecida, um instante e tornamo-nos outro, assim é este existir sob o céu, talvez o Inferno não seja um lugar tão longe... in Anoiteceu
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  No final silêncio da noite, ouço gritos em mim Que horas são? Há quem lhe chame tarde. Porquê, pensava ele, se talvez ainda lhe fosse cedo. A seu lado, o banalizado aparelho rectangular, assim que lhe toca, as luzes, embora nunca achasse a graça que outros lhe consagravam, ao ponto de toda uma nova mitologia, reconhecia-lhe, sim, apenas utilidade, com a dificuldade do novo, escrevinha qualquer coisa ( Como estás? ), e o botão do destino cumpre-se. A seguir, senta-se, e no horizonte a espera por uma esperança que se ilumine. Ainda demorou o tempo do muito pensar, até que Como queres que me sinta? A resposta tornada questão, uma estranha metamorfose, como se sem tempo para a pausada respiração da natureza. No fundo, a resposta não o surpreendeu. Só sucede quando se desconhece, por inteiro, o emissor. Que lhe podia dizer? Enquanto procurava articular palavras que possibilitassem uma frase, o sentir sempre longínquo do verbo, o polegar demasiado diminuto para o oceano que lhe oprim...
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Talvez a vida seja um desencontro em movimento. in Do outro lado do rio, há uma margem  

Como é difícil da corrente avistar a margem

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  Subiram o insignificante degrau, ela à frente, nos alvores convém o cavalheirismo, pensava ele, olharam as mesas disponíveis, e sentaram-se. Olhares de horizonte, enquanto procuravam romper aquele súbito e inoportuno véu que descera sobre eles, semblantes de sorrisos, embora ela mais séria, talvez pelo anelar que espelhava o ocaso iminente, o empregado que tardava, uma pena, pensava o silêncio de ambos, porque, assim, romper-se-ia o desconforto do véu, entretanto, sempre aquele horizonte marítimo, frases de ocasião, sim, meteorologia, o agrado da vista, felizmente o empregado, O que vão desejar, por favor? , ela sabia-se, agora, em palco, optou pelo pudor de uma água, discrição e pureza ficam sempre bem, ele preferiu um sumo natural, saúde e vigor também são valores consideráveis, o empregado retira-se, com ele, de súbito, o véu pelo chão, sim, agora horizontes de olhares, nada mais, ele a encetar por uma questão Então, o que pensas fazer? , mal acabara de a proferir, logo o a...