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A Incessante Efemeridade das Vagas

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Num entardecer (seria Verão?) ele regressa a casa pela concorrida estrada litoral. Pelos vidros abertos, entra um apelo marítimo. Não lhe resiste. Pára a viatura, descalça-se, e sente a areia antes de a pisar. Afinal, ver é sentir… No ar respira-se fim. Agora, caminha ao sabor da lentidão do momento. Olha à sua volta. Uma criança corre sob o desvelo materno. Ri o riso da infância: sonoro, espontâneo, vivo. À sua direita, uma jovem mulher sentada olha o mar, numa imobilidade pensante. Um rosto de saudade. Alguém que amou? Sim, talvez isso. As mãos nos joelhos. O olhar absorto no horizonte. Sim, ela está longe. Mas a distância advém do tempo. E essa é sempre a mais longínqua. Agora, ela compõe uma madeixa, no gesto possível do feminino, que a brisa descaíra. Ele memoriza-lhe o rosto. Uma beleza serena. A única que demora a vista. Agora, à sua frente, passam dois sujeitos a correr. O indizível do esforço grita-se-lhes no rosto. Talvez percepcionem que a meta seja distante.  ...
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Anoiteceu

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Lar? O que é isso de lar? Quando um prenúncio de regresso pelo mundo anoitecido, um sentir de orfandade aloja-se-me no sentir, ou talvez nunca dali tenha partido, como se fosse um conceito que ignorasse (e não ignoro? Lar? O que é isso de lar?), em verdade, nunca houve, debaixo deste céu, um lugar onde me sentisse em casa, onde regressar me apaziguasse o pensamento, vejo, agora, pressa à minha volta, pelas ruas percebemos o turvar dos céus, enquanto os candeeiros procuram contrariar, alumiando o possível, a ordem natural do acontecer, ouço, ainda sentado diante da minha secretária, “Então, até amanhã…” ou “Não vais para casa?” ainda “Vais ficar a fazer serão?”, malas quase arrancadas do chão, luzes apagadas com ferocidade, casacos vestidos sem olhar (não sei porquê, mas afigurou-se-me o oposto, em tempo e parcimónia, do gesto matinal)...
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LIVROS

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