Livros do Escritor

Livros do Escritor

segunda-feira, 9 de setembro de 2019


No fundo, as coisas são proporcionais: quanto maior o amor, maior a dor! 

in Deslumbramento

domingo, 8 de setembro de 2019

Um gesto do ontem apresenta-se ao amanhã



Há uns dias, por exemplo, num momento da tarde, creio que regressava a casa, levantou-se-me esta memória: houve um Natal, teria cinco ou seis anos, o primeiro após o divórcio, lembras-te, claro, foi meu pai a sair de casa. Bom, ao contrário do expectável, tive o Natal com mais prendas: mãe, avós, tios, até vizinhos, parecia que todos procuravam compensar-me por ver os pais seguir em direcções distintas. Percebi, pelo soar da campainha, a chegada do meu pai, não me perguntes como, aquelas coisas que simplesmente sabemos numa zona de nós tão longe e simultaneamente tão próxima do mundo, mas, como dizia, foi após o jantar, ainda deu tempo de abrir mais de metade das prendas, estava tão feliz, lutava e lutava com papel de embrulho, de facto, há lutas que dão prazer, não me passou despercebido, logo após a campainha soar, o cessar das conversas, um silêncio que ampliava o próprio respirar, curioso, não me recordo de quem abriu a porta, minha mãe não foi, isso tenho presente, talvez uma das tias, a imagem de meu pai, à entrada, surgiu-me, tímido, renitente em avançar, olhou em volta à espera de um incentivo, acabou por surgir através do afável gesto de um dos tios, lá entrou, em tímidos passos, à medida que se ia aproximando, denotei-lhe uma crescente noite pelo rosto...

sábado, 7 de setembro de 2019

Sentires



E o hoje é isto (três semanas para oitenta e três anos), sentado num banco de jardim, ao lado de casa, as pernas não permitem que o olhar deixe de ver a porta do prédio, é curioso que, com a idade, tudo se unifica, entretanto, reparo que uma silhueta familiar se aproxima, reconheço-a, ela Posso sentar-me? Eu Claro. Sentou-se, ficámos, durante um pouco, a ver o longo relvado em frente, onde três ou quatro miúdos brincavam, por fim, decido que o silêncio se arrastara em demasia, O que a traz até estes lados? Quer dizer-me alguma coisa? O seu olhar com as correrias na relva, porém, percebi que o seu pensar juntava palavras para frases, Fica tanto por dizer! Acho que hoje compreendes melhor as minhas falhas, certo? A questão saiu-lhe pronta, sem hipótese de me socorrer de argumentos esquivos, Sim, é verdade, o céu e o inferno sempre ao alcance de um monossílabo, pensei, ela prosseguiu A idade suaviza-nos o olhar. Eras tão inclemente: contigo, connosco, com os outros…

domingo, 1 de setembro de 2019


Uma evidência crescia em mim, como uma sombra que, doravante, iria turvar o meu existir: eu não partia dali, eu partia de mim.

in Deslumbramento


A haver um céu, não estará longe de um sonho de criança.

in Deslumbramento