Há lugares que são o que sempre foram. Talvez por ali permanecer uma parte de nós pronta, sempre que regressamos, a sair-nos ao caminho e a relembrar a sua existência. Como se fôssemos partes largadas no mundo. E sempre a tola ilusão de um eu. Não, somos, de facto, partes largadas no mundo, umas em sorrisos quentes, iluminadas por um sol adentro através de largos vidros, outras em recato, numa sombra perpétua de um qualquer enviesado recanto, e sempre a ilusória ambição de um compreender, como se fosse possível reunir sombras perpétuas de enviesados recantos e sóis adentro através de largos vidros no espaço de uma mesma mesa. Hoje reentra naquele café, sim, aquele que tem mesmo um candeeiro, no passeio, diante da entrada, a cada passo a procura de um rosto conhecido, sempre assim foi, a carência de espelhos, mas nada, talvez pela hora, não, talvez pelos anos de permeio, desde que tivera, no passeio, de contornar o candeeiro, para ali entrar, mas entrava, nessa altura, num outro...