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  O tempo é o homem. in Do outro lado do rio, há uma margem

Quantas conversas encontram o amanhã?

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  Há lugares que são o que sempre foram. Talvez por ali permanecer uma parte de nós pronta, sempre que regressamos, a sair-nos ao caminho e a relembrar a sua existência. Como se fôssemos partes largadas no mundo. E sempre a tola ilusão de um eu. Não, somos, de facto, partes largadas no mundo, umas em sorrisos quentes, iluminadas por um sol adentro através de largos vidros, outras em recato, numa sombra perpétua de um qualquer enviesado recanto, e sempre a ilusória ambição de um compreender, como se fosse possível reunir sombras perpétuas de enviesados recantos e sóis adentro através de largos vidros no espaço de uma mesma mesa. Hoje reentra naquele café, sim, aquele que tem mesmo um candeeiro, no passeio, diante da entrada, a cada passo a procura de um rosto conhecido, sempre assim foi, a carência de espelhos, mas nada, talvez pela hora, não, talvez pelos anos de permeio, desde que tivera, no passeio, de contornar o candeeiro, para ali entrar, mas entrava, nessa altura, num outro...
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Tudo é sempre uma outra coisa

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  Há dias que não queremos que amanheçam. Mas que nos acabam sempre por bater à porta. Como se sempre nos soubessem a morada. Pelos apressados passos exteriores, que se aproximavam num galope de fatalidade, amanheceu um indesejado. Eles ainda na distância de um sono, a campainha em gritos alados por uma tempestade próxima, começam a perceber-se, Estás a ouvir? Será que aconteceu alguma coisa? Um pé já no soalho, ela ainda Mas quem será? Que horas são? Ele já com os dois pés nos chinelos, a levantar-se, Vou ver quem é. Só espero que não seja brincadeira de miúdos ou engano. Nisto, ela também com um pé já amanhecido, ele a aproximar-se da porta de entrada, a estranhar a pluralidade de vozes no exterior, toques de campainha e pancadas demasiado firmes na porta, uma estranha sintonia dissonante, nada por ali de turvo ou clandestino, de súbito, ele no receio de se aproximar, como se temesse um qualquer desígnio há muito sufragado, encosta-se à parede, ela também já no corredor, nes...
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Perdemo-nos tanto a olhar o longe, que não ouvimos a súplica perto. in Do outro lado do rio, há uma margem
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