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Ecos de vozes idas
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Neste momento, ia em viagem algures debaixo do céu do mundo. Sem pressa. No fundo, a melhor forma de se viajar. Gostava de viajar só. Sinal que gostava da sua companhia. Estes são os que reclinam a cabeça com facilidade. Aos outros, resta-lhes experimentar a contínua aspereza de cada travesseiro. Não há outra forma: nunca se encontra no mundo aquilo que não trazemos para ele. Mas ele, neste exacto momento, guiava na gratidão de um silêncio compassado. Fruía cada instante do percurso. Diante de si, abriu-se uma longa recta. Àquela hora matinal, ainda pouco trânsito. A visibilidade era boa, apesar dos resquícios de uma noite ida. Reparou, um pouco à frente, na berma da estrada, numa mão suplicante. Desacelerou espontaneamente, fruto de uma vontade de génese incógnita. Porquê? (Questionar-se-ia ele, mais tarde. Como resposta, apenas a memória de um gesto irreflexo, nada mais. Mas, ainda assim, tinha como resposta a memória de um gesto. Quantas vezes nem isso? Apenas os amargos fruto...