Lá muito ao longe, entre os montes, o azul ondulante, eu aqui, na varanda, a sentir o desamparo do momento, frases de há muito revisitam-me, hoje num sem-sentido, promessas, apenas isso, um vento entardecido murmura-me despedidas, o mundo num imenso adeus, eu a reflectir onde me perdi de mim, as certezas, pois, as certezas, edifiquei-as em meu redor como se muralhas para a vida, nem ruínas restam, tudo se desmoronou, num certo momento quis trazer passado ao presente, de outra forma, a infância ao hoje, as mais solares memórias de infância foram com os meus avós, lá longe, na aldeia, onde aprendi a olhar horizontes, com o tempo, intensificaram-se, os horizontes, para mim, habitante da cidade, num lugar lá atrás, os avós partiram, a porta da sua casa fechou-se irreversivelmente, depois foi a porta da casa dos pais a fechar-se, qualquer dia será a minha, porém, num certo momento, cresceu-me a urgência de trazer passado ao presente, de outra forma, a infância ao hoje, foi num desses enfado...