Clareza
Uma frase que me regressa com frequência é “Quem está de fora vê melhor o filme”, tudo na vida tem um tempo, a própria vida é uma porção de tempo que nos é concedido, cada um gere como pode, sabe ou desconhece, de facto a maioria obstina-se em esquecer este singelo facto (a própria vida é uma porção de tempo que nos é concedido), sempre o recorrente virar de costas à problemática da morte, como um indesejável que, volta e meia, nos toca à porta, e insistimos em ignorar, apesar de termos consciência de que, num dado momento, forçosamente teremos de acolhê-lo, mas alimentamo-nos da ilusão de fugazes eternidades para manter a porta fechada a tão incómoda visita, andamos de distracção em distracção para não nos olharmos, tudo serve para nos alhearmos, de minudências a futilidades (quantas existências sobre a terra se balizam por aqui?) se nos olhássemos e, por fim, conhecêssemos, compreendíamo-nos perdidos na noite da alma, sem um resquício de amanhã nesse negrume infindo, certa ...