Quantas vezes os outros sonham connosco?
Iniciou um sorriso no decorrer de um sonho. Um sorriso do sentir. Todo ele estava no sonho. Talvez por isso o sorrir. Talvez por isso o sentir. Porque só se sente por inteiro. Não há sentires parcelares. E ele sorriu, não ao sonho, mas à memória. À memória revivida. Ao instante reavivado com outras colorações, mas com o mesmo aroma. Sim, só se sorri devido a uma doçura. E ele, naquele instante de uma outra realidade, com cambiantes de si, revivia a possibilidade de outros caminhos jamais trilhados. Como se, de alguma forma, pudesse ter sido outro. E quem não gostaria, nem que fosse por uma vez, de ter sido outro? O sonho abre-nos essa porta, mas não muitas vezes. Com o tempo, ele começou a compreender os sinais: um primeiro e tímido chiar de porta, uma luz anunciada num soalho empoeirado, e, por fim, a luz desvela-se mais um pouco, porque esta porta jamais se escancara. Apenas se entreabre. Como se proclamasse, num indizível de si, não demores… Ele, no seu tempo de son...