... sabes,
gostava que esta noite não encontrasse a manhã.
in O lento esvoaçar das cortinas pela manhã
Faz hoje anos que devia ter partido daqui, nem todos se podem gabar de ter uma data assim na sua biografia (Faz hoje anos que devia ter partido daqui), é verdadeiramente o único dia do calendário que me inquieta por antecipação, é natural: faz hoje anos que o Terror se me gravou na carne! Se me contassem, na manhã desse dia, como terminaria, creio que responderia com uma gargalhada, há uns tempos escrevi: “Há dias que nunca deviam ter existido”; baseei-me claramente neste, o Sentido do hoje é o absurdo do amanhã, passado todo este tempo continuo a achar que devia ter partido nesse dia, há ideias de que, felizmente, ninguém me consegue demover, a percentagem de sobrevivência ao sucedido, e no contexto em que foi, era, de facto, mínima, contudo, lá houve alguém que soube como proceder para salvar uma vida, a minha, não obstante tanto sujar-se de sangue, abençoo ou amaldiçoo? Sempre me inclinei mais para a última, é a verdade, não sei quem é, onde vive, o que faz, não deixa de ser curioso: um dos vultos mais decisivos da minha biografia é um ilustre estranho! E continuará a ser, talvez seja melhor assim, abençoo ou amaldiçoo? Se me dessem a escolher, se efectivamente tivesse poder de decisão, optaria inquestionavelmente pela partida nesse funesto dia, também há uns tempos escrevi que “a Dor só nos anoitece a visão das coisas, pouco mais…”, há quem defenda ser uma grande mestra da vida, enfim, é possível que não lhe conheçam o Terror, é fácil afirmar lugares-comuns de uma segura distância do acontecer, o problema começa precisamente quando o Terror nos engole, a verdade é que nunca gostei da expressão “sobrevivente”, um eufemismo para quem teve a “sorte” de escapar a algo, ou o “azar”, pois, uma perspectiva de acasos, e como eu os detesto…! Faz hoje anos, como é natural, que se me quebrou a Confiança com a realidade, se me contassem, na manhã desse dia, como terminaria, creio que responderia com uma gargalhada, jamais as coisas podiam regressar ao antes, até hoje, nunca houve quem tivesse o arrojo de colocar uma questão essencial: “O que aprendeste com esse Terror?” Há uns anos, diria: “Nada!” Hoje respondo: “Anoiteceu-me a visão das coisas…” Isso tem algum aspecto positivo? Nenhum! Tornei-me numa pessoa melhor? Não! A amargura torna alguém melhor? A compreensão de que se atropelam para nos ver caídos e se escondem para não nos verem guindados é positiva para alguém? Não me parece, quando não há poder de escolha, somos simplesmente engolidos pelo acontecer, o pensar nem chamado é para a arena da vida, e, quando estamos caídos, os imbecis em volta multiplicam-se com uma velocidade desconcertante, parte de mim faz hoje anos que morreu, a morte de um sonho é também a nossa morte, e quantos sonhos não morreram neste dia há uns anos? Demasiados, sem dúvida, demasiados… Faz hoje anos que devia ter partido daqui, nem todos se podem gabar de ter uma data assim na sua biografia (Faz hoje anos que devia ter partido daqui), é verdadeiramente o único dia do calendário que me inquieta por antecipação, é natural: faz hoje anos que o Terror se me gravou na carne! À minha volta vi manifestações de nobreza e simultaneamente o mais vil e torpe da humanidade, tudo entrelaçado numa harmonia inquietante, como se à luz se sucedessem as trevas, e vice-versa, até “à consumação dos tempos”, se parte de mim morreu nesse dia, jamais posso ser considerado um sobrevivente, sei que desejava ter partido, nem olharia para trás, no entanto, lá houve alguém que soube como proceder para salvar uma vida, a minha, não obstante tanto sujar-se de sangue, abençoo ou amaldiçoo? Sempre me inclinei mais para a última, é a verdade, não sei quem é, onde vive, o que faz, não deixa de ser curioso: um dos vultos mais decisivos da minha biografia é um ilustre estranho! Há balanços que nos são vedados, este é um deles, os meus desejos aqui não encontram porta por onde entrar, cabe a quem me acompanha os passos decidir se abençoa ou amaldiçoa quem, há uns anos, tanto sujou as mãos de sangue para me adiar a partida…
(10/06/24)
Hoje resolvi dedicar estas linhas aos irmãos chihuahua, perguntar-se-á o leitor: quem, afinal, são os irmãos chihuahua? São dois gémeos, nem por acaso tiraram o mesmo curso, nem por acaso seguiram a mesma profissão, o tempo e a vida lá ajudaram a distingui-los: um inchou, inchou, o outro manteve-se esquálido… Bom, tenho de ir mais devagar, nem o contexto destas duas criaturas apresentei, conheci, há uma década, o chihuahua-esquálido, achei graça ao sujeito, fazia do politicamente incorrecto o seu estandarte, isso agradou-me, há muito que, essa forma tirânica de nos vigiarmos mutuamente, me causava um asco visceral, o sujeito lá debitava as suas baboseiras, com um aparente à-vontade, talvez por ninguém lhe dar crédito, vivia sozinho, não obstante ter dobrado meio-século de existência, sempre nutri compaixão pelos sós, a sua fragilidade gritava-se-lhe na descoordenação-motora, para além, claro, da extrema magreza, todavia, volta e meia, era vê-lo elevar a voz por uma qualquer causa, risível a figura, apenas e só, um chihuahua-enraivecido a rosnar atrás de um qualquer portão, limitava-me a rir, apenas e só, era habitual chegar, sobretudo de tarde, ao trabalho, vermelhusco e alegre, a frustração lá teria de ser olvidada, e uns copitos são a viagem mais rápida e barata para o efeito, certa vez, contaram-me que, na rua, se exaltou com um taxista, na altura, confesso a minha apreensão, se alguém atingisse aquela amostrazita de homem, durante semanas não ouviríamos o politicamente incorrecto, afirmava-se através de uma falsa generosidade e pelas leituras, fazia gáudio em andar sempre com um livro debaixo do braço (bem diz o povo: “Um BURRO carregado de livros é um doutor”), no entanto, se instado a discorrer sobre uma temática, o verbo não lhe fluía – a Retórica é uma qualidade inata – e o seu egozito é inversamente proporcional à sua volumetria, a verdade é que só tinha algum palco aquando das baboseiras, mesmo aí com uma generosa dose de compaixão, a certa altura, enamorou-se de uma colega casada, apesar de muitos duvidarem da sua real orientação, havia quem desconfiasse daquele andar trôpego, de uma segura distância, apercebi-me da total inabilidade do nosso chihuahua para o elemento feminino, esta, claro, foi-se aproveitando da sua falsa generosidade, uma sujeita fútil e completamente estéril de ideias, o chihuahua não a largava, mas como é sabido jamais mordeu, profissionalmente é mais um frustrado que para ali anda num ontem sempre igual ao amanhã, neste ponto só me questiono: Como se pode exercer uma profissão onde o elemento central é precisamente a Retórica?! E o verbo que jamais lhe flui, saliva a cada sílaba, cospe a cada palavra emitida, o chihuahua-gordo, que inchou, inchou, ao longo da vida, num certo momento, lá conseguiu escapar-se das funções que também o obrigavam a fazer uso da Retórica, com este felizmente pouco contacto tive, embora fosse o bastante para aferir a escassez de carácter, como dizia, escapou das funções que também o obrigavam a fazer uso da Retórica, e foi para um lugar onde avaliava aqueles que jamais ousaram fugir do uso da Retórica, aqui chegado, só posso concluir que o Sentido há muito partiu deste lugar: um incapaz a avaliar os capazes?! As palavras fogem-me… Alguém, das relações do chihuahua-bêbedo, ao aperceber-se de que era um incapaz a avaliar os capazes, tratou de o meter na ordem, o chihuahua-gordo, tal como o irmão-vermelhusco, só rosnava, e sempre atrás de um portão, contudo, o bêbedo tomou as dores do irmão e cortou relações com o tal que se apercebera de que era um incapaz a avaliar os capazes, a vida lá vai ensinando quem deve ou não continuar a sua marcha a nosso lado, sei que se riu, pela infantilidade do gesto do chihuahua-bêbedo, por, no fim de contas, nenhum livro lhe ter ensinado que era um incapaz a avaliar os capazes, que o factor sanguíneo nem tudo justifica, que a sua figura só suscita compaixão, que não se alcança o coração de uma mulher com falsa generosidade, com um verbo que jamais lhe flui, a salivar a cada sílaba, e a cuspir após cada palavra emitida, talvez ainda não tenha encontrado os livros certos, embora seja sabido que são os livros que nos encontram, é possível que, quando este lhe batesse à porta, estivesse distraído a debitar baboseiras para se esquecer de si.
(09/06/24)
O que nos guarda o amanhã? Esta
questão acompanha o homem desde o seu primeiro passo por estes lados, hoje ela
vive num quartito alugado em casa de uma conhecida,
antes chamava-lhe amiga, hoje nem pensar, é sabido que familiaridade rima
com hostilidade, se antes, com a distância, amigas, hoje apenas se suportam,
uma precisa do quartito, a outra da renda proporcionada pelo mesmo, assim
sempre se amparam, não obstante as invectivas silenciadas, quando ousa
debruçar-se sobre a janela do passado, ela e o marido,
de mão-dada, aos Domingos, em passeios por Sintra, ele chegava a
segredar-lhe “Nenhuma te chega
aos calcanhares! Nenhuma te chega aos calcanhares!”, em momentos assim, ela sentia tactear os céus, agora, num quartito alugado em casa
de uma conhecida, antes chamava-lhe amiga, o momento alto do seu dia é a
ginástica, só tem de atravessar a rua, há lá outras a partilhar a sua
circunstância: os maridos partiram, na viagem-final, e elas por aqui ficaram,
num desamparo sentido; costumam ir antes da hora de almoço, ela e a conhecida,
antes chamava-lhe amiga, era dois ou três anos mais velha, embora, aos seus
olhos, parecesse haver, no mínimo, uma década, a
separá-las, e a ginástica, o momento alto do seu dia, só o comprovava, ela
fazia todos os aparelhos, chegava até a dançar, para espanto dos presentes e do
responsável, enquanto a outra se limitava a arrastar, de exercício em exercício,
como se de uma Via-Sacra se tratasse, num desses efusivos momentos de dança, não lhe passou despercebido o olhar-guloso do responsável,
um jovem da sua idade, afinal, a idade é só um número, com um
porte-atlético considerável para tal soma do tempo, não fosse o responsável
pelo espaço-desportivo, não, não era impressão sua ou uma efabulação por há
tanto não sentir o calor masculino, não lhe passou despercebido o olhar-guloso
do responsável, a verdade é que andou dias e dias a matutar naquele olhar
lascivo que lhe percorreu as linhas, talvez por simultaneamente lhe aquecer o
sentir, afinal Sintra é uma miragem, de um passado tão, mas tão, lá atrás, por
vezes tem de apelar aos esforços da imaginação para o reerguer, e à frase que a
fazia tactear os céus “Nenhuma te chega aos
calcanhares! Nenhuma te chega aos calcanhares!”, as suas danças, entre
exercícios, multiplicaram-se, tinha de confirmar a gula de um olhar, já que a
inveja das outras há muito um facto consumado, nem linhas, nem energia,
problema delas, de certa forma, aquele olhar fê-la dançar (há quanto não se
sentia assim?), como se lhe murmurasse, à sua maneira, “Nenhuma te chega
aos calcanhares! Nenhuma te chega aos calcanhares!”, durante uma das suas
esfuziantes danças, aproximou-se dele, estava vigilante, num dos cantos da
sala, estendeu-lhe as mãos, para lhe acompanhar os passos embalados pela
melodia, que, em verdade, só ecoava em si, contudo, ele sorriu e permaneceu
onde estava, ela leu-lhe uma timidez em flagrante contraste com a gula do
olhar, nesses breves segundos, tomou uma
decisão, não, não podia
adiar mais, se ele reticente, vencido pela timidez ou pela responsabilidade
profissional, teria de ser ela a dar o primeiro passo, nesse dia, quando
regressava a casa com a conhecida, antes chamava-lhe amiga, sob o pretexto de
algo esquecido, regressou, ele ainda lá estava, sozinho, a ultimar pormenores
para o fecho durante a hora de almoço, guiada por um calor súbito e demasiado,
ela sentiu-se impelida a extinguir definitivamente as labaredas daquele
guloso-olhar, entrou, de forma sorrateira, e subiu para o balneário-feminino, só o factor surpresa poderia derrubar tamanha
timidez, foi a sua conclusão, aí chegada, desnudou-se da cintura para cima, o resto
viria por acréscimo, e gritou o seu nome, ouviu uns barulhos em baixo seguidos
de um galope escada acima, não podia estar mais correcta, aí vinha ele ao seu
encontro, como se, desde a primeira vez que o seu olhar salivou perante tais
linhas, ansiasse por este momento, a verdadeira dança seguir-se-ia dentro de
momentos, fechou os olhos e entreabriu os lábios, agradeceu, em súplica, nesses
instantes, não haver, em si, vestígios de Sintra, ela e o marido, de mão-dada,
aos Domingos, em passeios, o calor ameaçava asfixiá-la, há tanto lhe falta alguém
que a faça tactear os céus, ele bate à porta, apesar do galope escada acima,
confirmou a sua timidez, sabia que, àquela hora, só lá estariam os dois, como
se tudo convergisse para o seu encontro, não, não podia esperar mais, ela
correu para a porta, abriu-a, estendeu-lhe a mão e puxou-o para dentro, do lado
dele, a incredulidade da situação: uma idosa, com os seios a tactear o umbigo,
a avançar, de língua de fora, ao seu encontro, num gesto irreflectido, ergueu
as mãos, como se em defesa, quase gritou “Desculpe, mas nem mais um passo!”,
em verdade, quanto ele não daria para vivenciar tal constrangimento, há
coisas, nesta vida, que nem adicionam, nem subtraem, são aquelas que nada
ensinam, esta foi uma das tais, recuou, sempre de mãos levantadas, e saiu; do
lado dela, é um homem às antigas, digno, com valores, antes de qualquer coisa,
quer convidar-me para um passeio, em Sintra, de mãos-dadas, pois, é isso,
afinal, sempre vou tactear novamente os céus, agora, quando sair, ele está a
preparar-se para me murmurar ao ouvido: “Nenhuma te chega aos calcanhares!
Nenhuma te chega aos calcanhares!”
Pedro de Sá
(08/06/24)
Desde
muito cedo, um dos chavões mais repetidos por meus pais era: “Vê lá se ficas um homem! Vê lá se ficas
um homem!” Repito, desde muito cedo, eu para ali ficava, a ruminar a frase (“Vê
lá se ficas um homem!”), embora sempre aquém, talvez, do desígnio paterno, em verdade,
creio que nem eles o alcançavam, saía-lhes com a naturalidade possível do
contexto em que se lhes impunha chamar a atenção por qualquer coisa, e, claro,
restaurar a sua autoridade, esta introdução não é aleatória, vem precisamente
ao encontro da figura a quem hoje dedico estas linhas, nem por acaso
partilhamos a mesma paixão clubística, era vê-lo, aquando
das vitórias, em risos,
as habituais larachas aos adeptos adversários, o imperativo desdém, enfim, o
habitual prato-completo destes contextos, não raras vezes até se apresenta
vestido, com ar triunfal, com a camisola do vitorioso, porém, as vitórias começaram a
escassear e o título foi para um adversário, desde então, nem vislumbres de
risos, das habituais larachas aos adeptos adversários, do imperativo desdém, pois,
o habitual prato-completo destes contextos, e de se apresentar vestido, com ar
triunfal, com a camisola do vitorioso, como eu o compreendo, não partilhássemos
a mesma paixão clubística, há uns dias, sucede que o adepto de um clube
adversário, com quem mantinha uma deveras relação
cordial, sublinhe-se, ousou, em risos, lançar-lhe uma laracha, desde então,
só foi contemplado com mutismo, semblante carregado e
costas, uma das piores coisas, da vida em sociedade, é indubitavelmente o
fenómeno dos mal-entendidos, neste particular, e por honestidade intelectual,
releve-se a generosidade de uma boa-alma que se lançou na dolorosa empreitada
de esclarecer o porquê de mutismo, semblante carregado e costas, quando antes
uma deveras relação cordial, a resposta não tardou, no fundo, parecia aguardar
pela questão para, por fim, desabar: “O quê? Não falar com esse?! Mas estamos a brincar ou quê?
Tanta coisa séria a acontecer no mundo e vem-me falar de bola?! Mas está a
gozar??? Com uma guerra a decorrer, preocupa-se com coisas de putos?! Falem-me
de geopolítica, ouviste? Falem-me de geopolítica! Eu
tenho três licenciaturas! Falo de qualquer assunto com quem quiser: Filosofia,
Literatura, Religião… Três licenciaturas! Falem-me de
geopolítica! Agora, de bola, sinceramente…” Tinha, por hábito, agarrar o
braço do interlocutor, como se para dar mais ênfase a cada sílaba proferida,
essa boa-alma que o interpelou foi, desde logo, acometida de uma dúvida: no
espaço daquela conversa, quantas mais licenciaturas havia tirado? Uma questão
pertinente, atendendo a tão demiúrgica personagem… Seguiu-se o espanto se, de
facto, quem tanto apelou a que “Falem-me de geopolítica! Falem-me de
geopolítica!”, seria o mesmo que, há umas semanas, aquando das vitórias, em
risos, as habituais larachas aos adeptos adversários, o imperativo desdém, pois,
o habitual prato-completo destes contextos, não raras vezes até se apresenta
vestido, com ar triunfal, com a camisola do vitorioso, como as coisas mudam no
espaço do viver… Em verdade, essa boa-alma, cumprido o seu papel conciliador e
de emissário da paz, ficou deveras confusa, persistiu, durante uns dias, de
calculadora na mão, a estimar quantas mais licenciaturas a demiúrgica personagem
teria somado… Que fenómeno! De facto, como é possível ser importunada com
minudências como a bola! Há sujeitos que jamais conseguem tanger, quanto mais
vislumbrar, o sublime da existência, é o caso desse adepto de um clube rival a
importunar o nosso demiurgo, quantas licenciaturas lhe foram vedadas só nesse
espaço de aborrecimento? Desde então, quando lhe falam de bola, responde com
pérolas como: “Estou-me a c…!” Maravilhoso,
eloquente, confesso que daria para mais uma tese, pelo menos o título de uma: “Estou-me
a c…!” Desde muito cedo, um dos chavões mais repetidos por meus pais era: “Vê
lá se ficas um homem! Vê lá se ficas um homem!” Repito, desde muito cedo, eu
para ali ficava, a ruminar a frase (“Vê lá se ficas um homem!”), hoje já
não estou aquém, responderia: “Falem-me de geopolítica! Falem-me de
geopolítica!” Creio que deixaria os meus pais em espanto, e se, durante essa
sua perplexidade, somasse, no mínimo, três licenciaturas, atingiria o zénite,
afinal, nunca houve questões sem resposta, pode ser que o meu clube dê a volta,
e, num certo lugar deste mundo, alguém volte a ser visto engalanado com a
camisola do vitorioso.