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Purgatório

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  Apesar de em despedidas do Outono da vida, desconhecia que sonho e pesadelo são faces da mesma moeda, quis terminar a sua caminhada profissional naquele lugar, guiado pelo sentir de um regresso a “casa,” também ignorava que as coisas nunca ficam onde as deixámos, até ao último expirar por aqui se aprende, não fosse esta existência a verdadeira escola, uns mais à frente, outros eternos repetentes, há inevitavelmente os familiares das cábulas, por bem votados ao malogro na hora final, esta decisão, de terminar a sua caminhada profissional, naquele lugar, foi há uns bons anos, talvez a ânsia de reencontrar os passos do pai, embora, de forma insistente, a voz materna, volta e meia, “Aquilo é uma tropa fandanga comunista… Aquilo é uma tropa fandanga comunista… Aquilo é uma tropa fandanga comunista…”, antes de se oficializar o regresso, chegou a lá entrar como mediador de um litígio burocrático, lírico como sempre, ignorava outro facto: “Não se joga limpo num lodaçal”; foi gozado e e...

Um dia todos acabamos por cair

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  O céu… Apenas o céu, não parecia assim tão longe, como se uma viagem que finda, à sua volta, vozes, mas parecia-lhe que à volta de um outro, afinal, a sua viagem finda no azul que contempla agora tão próximo, é estanho, o azul das alturas sempre lhe pareceu tão longínquo, quase uma irrealidade, e agora diante de si, tangível, de facto, a viagem finda, como se da carruagem percebesse a estação, levanta-se, aguarda apenas que se imobilize para então se apear, e o resto tão longe, como, no fim, tudo se torna uma imensa distância, pois, o céu, apenas o céu… Nisto, uma voz sumida, proveniente de um qualquer canto de si, sussurra Não te levantes, não te levantes… Nem penses nisso! Sem perceber o porquê, deixa-se estar, compreende que está caído no chão do mundo, a olhar o azul das alturas, mas desconhece a razão da queda, um calor súbito convida ao repouso, deixa-se ir, há quanto uma paz assim? O resto tão longe, como, no fim, tudo se torna uma imensa distância, pois, o céu, apenas o...
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 ...  fica um significativo conselho: Ten mucho cuidadito, Porcachona, el mundo es pequenito. in A Porcachona e o Tintim II

A Porcachona e o Tintim II

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  A pedido de muitos leitores, hoje vou dar conta do paradeiro destas sinistras figuras, a Porcachona (uma obesa, com o cabelo pintado de amarelo, que arranha castelhano, divorciada, mais que previsível, quem aguentaria, por muito tempo, a Porcachona?) e o Tintim (um boneco que ambicionava ter o dom da escrita, destino vilão que não lhe conferiu tal dádiva, é vê-lo andar diariamente com um livrito debaixo do braço, sempre confere um ar erudito, a melhor definição deste boneco proveio de um “dito seu amigo”: “É como a cortiça, está sempre à superfície), que tanta emoção despertaram, a crónica anterior serviu para as apresentar e reflectir no seu modus operandi, por estes dias, o boneco é visto em diálogos sussurrados, só muda de interlocutor, talvez questione se é assim tão dramático ou inabitual o facto de usar umas cuequinhas do Tintim, uma questão merecedora da devida reflexão, quem passe por perto nem uma sílaba ouve, um tema sensível compreende-se, do foro mais que íntimo, a...