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  ... a juventude é uma zona indistinta entre os sonhos da meninice e o resignado tédio dos adultos... in Nascer

Os números não choram

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  A campainha soou como se procurassem outra morada. Ela esperava aquele toque mais tarde, encaminhou-se para a porta, o primeiro passo saiu contrariado, o segundo mecânico, do terceiro nem se apercebeu, o quarto já conformado, antes de abrir, olhou o marido na moldura plástica, transparente, em cima da camilha, a gravata ligeiramente torta, ela sempre com vontade de endireitá-la, mas a moldura a impossibilitar, antes, ele ainda a seu lado, a virar-se para ela, Está bem posta? , logo, passos de corrida, os braços estendidos em seu socorro, a verticalizar correctamente aquele enfeite que caracteriza qualquer senhor que se preste como tal, a suspirar pela aparente ilusão do que foi, por fim, a porta, três crianças correm ao seu encontro, ela baixa-se para as receber, embora lhe custe, os joelhos, a ciática, talvez já devesse estar também numa moldura, e assim ajeitar a gravata do marido, as falas das crianças atropelam-se, o som em crescendo, uma guerra jamais declarada pela atençã...
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  Se eu pudesse, por um dia, ver o mundo pelos teus olhos. in Do outro lado do rio, há uma margem

E se de uma janela nem horizonte…

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  Ela assoma à janela. Apenas olha para baixo. Espera pelo baque da porta do prédio, um som indistinto entre vidros e alumínios, e depois surge a figura dele, lá vai, numa passada em que se lê o saber da amargura do destino, mas obstina-se, lá vai, sempre, àquela hora, como se um rito, lá vai, ela mão no vidro, a sentir aquela frieza que traz consigo sempre a memória do real, a mão em adeus, ou num apelo, mas ele sempre, lá vai, a dobrar a esquina, até que, por fim, apenas uma mão no vidro. Horas antes, entrara em casa, com aquela expressão peculiar de quem se quer saber a sós, senta-se no sofá, nisto, a campainha, ela e a irmã em corridas para a porta, passam por ele como se nada, aguardam já de porta aberta, nas suas costas apenas sofá e jornal, o elevador, uns braços cansados pousam a subsistência que ameaça as ténues margens plásticas dos sacos, ouve-se uma expiração com o comprimento da fadiga, ajoelha-se, as irmãs de novo em corrida, os braços cansados agora abrem-se num sorr...
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  Por onde pisa o pensar enquanto andamos pela terra? in Do outro lado do rio, há uma margem
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  Um silencioso e horizontal espelho de pedra. in Do outro lado do rio, há uma margem