Livros do Escritor
quinta-feira, 14 de junho de 2018
quarta-feira, 13 de junho de 2018
Nós temos sempre a idade do momento
Uma
das piores coisas da vida é ver um erro grosseiro repetir-se, bem diante de
nós, sem que nada possamos fazer para alterar o rumo do acontecer, isto
geralmente devolve-nos um sentir de orfandade, uma regressada incompreensão das
coisas, como se nos aproximássemos de uma janela, para vislumbrar a ansiada
paisagem, contudo, quando estamos mesmo a chegar, mesmo a chegar, quase a
sentir a brisa no rosto, logo se fecha, com estrondo, diante da nossa
incredulidade, mas uma questão impõe-se: por que é que permitimos que um
grosseiro erro se repita? De facto, se houvesse resposta para tal, eu teria
sanado do meu existir tão nefasto regresso, em vez de assistir, impassível, ao
seu desenrolar, bem diante de mim (...)
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Percebi-lhe, aos primeiros olhares, uma miríade de
emoções, entre a alegria de me ver e a dor infinda de se saber sentado, esmagado
de encontro aos seus sonhos moribundos, mas é curioso, assim que trocávamos as
primeiras frases, restabelecíamos a nossa singular empatia, que nos levava,
madrugadas infindas, a confidenciarmos a alma, enquanto ouvíamos melodias que
nos relembravam quantos já fomos nesta vida…
in Harmonia
sexta-feira, 8 de junho de 2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Sabe que havia fila para o ver? Havia quem esperasse
horas! Pois, eu bem sei, é muito fácil compadecer-nos com o mal dos outros, mas
é extremamente difícil alegrarmo-nos com o seu bem, nessa altura, ele estava
tão aquém desta verdade, e de muitas outras, a sua única verdade, naquele
fatídico momento, assentava numa crescente vã esperança de que estivesse
mergulhado no maior pesadelo da sua vida. Mas para quem está confinado a um
leito hospitalar, a olhar, pela primeira vez, a frieza branca da cal daquelas
paredes, que à noite parecem amplificar as inaudíveis dores da alma (e como a
sua lhe doía!), talvez um rosto familiar mitigasse o naufrágio de se ser, ou
talvez relembrasse o quanto se afastou de uma outra vida…
in Harmonia
domingo, 3 de junho de 2018
O carácter incomunicável da dor
Quando chega a hora de voltar para casa, a que muitos
apelidam de regresso, ela sempre acometida por um sentir de orfandade, a plena
consciência de que é um ser sem lar (de que sempre o foi), uma pressa
generalizada domina gestos e passos à sua volta, ela apenas hesitações, há três
meses vira-se obrigada a retornar à casa materna, precisamente àquela de onde
sempre quis partir, mas não voltou só, fazia-se acompanhar por uma frágil mão
dentro da sua, umas dezenas de centímetros abaixo, à sua volta, agora, frases
recorrentes (Até amanhã! Ainda ficas? Não
vens? Então, adeus… Vais fazer serão?), porém, ela ainda sentada, procurava,
talvez, o segredo da existência (a compreensão da derrota)...
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