Pelas costas tudo se diz, tudo se faz…

 


Compreendi, há uns tempos, por estes lados, haver uma geração a viver às custas dos dividendos da anterior – propriedades, imóveis, jóias, quantias herdadas, enfim, tudo o que possua cifra –, por norma, apresentam uma postura arrogante (autênticas figurinhas que gostariam de passar por figurões, mas uma figurinha jamais chegará a figurão, aqui reside o paradoxo), sapientes de algo que os próprios desconhecem na sua infinita ignorância, como se, pela circunstância de nada terem construído, de palpável, com o seu engenho e esforço, por outras palavras, o conceito de trabalho ser-lhes deveras longínquo, uma realidade insondável, horários para cumprir, transportes-públicos, as omnipresentes contas mensais, a verdade que o comum cidadão conhece até ao fel da sua essência, pelo simples facto de não ter o privilégio de um porto-de-abrigo providenciado pelos seus antecedentes, pudessem opinar sobre tudo que julgam ver, assim sendo, sem horário para cumprir, os dias avizinham-se longos e entediantes, há que os preencher, nestas linhas centrar-me-ei numa espécime, mais concretamente numa famelga com que me cruzei, duas filhas, pelo menos, e seus progenitores, a primeira que conheci era uma criatura sem quaisquer dívidas com a beleza e a inteligência, péssimos indícios numa mulher, com uma mandíbula intimidante, não sei porquê, mas ao olhar para trás, sempre que a funesta imagem desta criatura me surge, só se me evidencia a mandíbula, um ar entediado que só demonstra estreiteza de intelecto, sem dúvida, estava nos antípodas do pensar, pelos vistos, o destino não se contentou com este exemplar e resolveu apresentar-me o mais novo, ainda mais feia, mais disforme, mais limitada intelectualmente, tinha qualquer coisa, bem patente no focinho, de um limpa-chaminés, ao vê-la logo, em mim, uma irreprimível vontade de tossir, vá lá saber-se a razão, como se tal fosse possível, nem o nome detinha qualquer aparência feminina, sempre que abria a boca denotava-se-lhe ser habitada somente por uma infindável estupidez, percebi que, por aqueles lados, intelecto era um conceito estrangeiro, no entanto, eram pródigas na arte da maledicência, algo que se cultiva e desenvolve nas costas alheias, como eram e são, bem vistas as coisas, há aspectos imutáveis, de uma total falência de intelecto, havia que maquilhar tal facto com o maldizer, este acto tinha e tem, bem vistas as coisas, há aspectos imutáveis, o patrocínio de quem as meteu neste mundo, pois, uma geração a viver às custas dos dividendos da anterior, por norma, apresentam uma postura arrogante (autênticas figurinhas que gostariam de passar por figurões, mas uma figurinha jamais chegará a figurão, aqui reside o paradoxo), sapientes de algo que os próprios desconhecem na sua infinita ignorância, assim sendo, sem horário para cumprir, os dias avizinham-se longos e entediantes, há que os preencher, por conseguinte, nada melhor que se juntarem ao coro dos asnos que pariram na vil arte de maldizer os outros, que, com um simples olhar, lhes espelharam a sua completa insuficiência intelectual e de valores, mesmo a sua notória fealdade, confesso, não terei conseguido disfarçar, soube, há uns anos, que os progenitores destas criaturas adoptaram três irmãs órfãs, tal acto granjeou-lhes, junto da comunidade, algum reconhecimento, “Que acto de coragem… Meu Deus, que gente boa… Que nobreza de valores… Providenciar um destino a três desvalidas… Onde já se viu tal?! Houvesse mais como estes, e o mundo seria tão melhor…,” se, por acaso, tivessem horários para cumprir, transportes-públicos, as omnipresentes contas mensais, tudo aquilo que o comum cidadão conhece até ao fel da sua essência, pelo simples facto de não ter o privilégio de um porto-de-abrigo providenciado pelos seus antecedentes, haveria tempo e disponibilidade para gestos de aparência nobre?! Creio que não, e que valores esta gentalha transmitirá às adoptadas? A maledicência que ocupa o diminuto cérebro das legítimas? Uma delas, que nem Caim, já enciumada da mais velha das recém-chegadas… A cobardia de actuar pelas costas, onde tudo se diz e tudo se faz? Aprendi, no devido tempo, que não nos devemos preocupar com o que dizem nas nossas costas, mas sim estarmo-nos nas tintas para o que de nós dizem, aqui reside o objectivo, mais do que nunca, hoje, a actuação pelas costas reina, essencialmente por dois motivos: a crescente cobardia e haver uma geração a viver às custas dos dividendos da anterior, assim sendo, sem horário para cumprir, os dias avizinham-se longos e entediantes, há que os preencher, como o intelecto não dá para mais, resta a maledicência contra quem, com um simples olhar, lhes espelha a sua completa insuficiência intelectual, de valores, até a fealdade, constatei, pela dificuldade de compreensão, que o olhar foi insuficiente, daí a redacção destas linhas, embora, como é natural, aqui não cheguem, exige cérebro e esforço.

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