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Estará a palavra a morrer?

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Não sei bem porquê, ou, em verdade, talvez saiba, mas nunca gostei dela, desde a primeira vez que a vi, ainda me lembro, tão bem, ele com uma cara aparvalhada, tinha, às vezes, de repetir as coisas, pelo menos, três vezes, para me ouvir, sempre tão longe, até que, cansada daquela situação, resolvo questioná-lo directamente, ele, de início, afigurou-se-me surpreso com a inferência que levou à questão, para o incentivar na resposta acrescentei “Não te esqueças de que sou tua mãe! E ninguém te quer mais neste mundo que a tua mãe!” Ainda ofereceu mais alguma resistência – sinal de que não teria uma oponente nada fácil –, mas lá acabou por relatar que namorava com ela há mais ou menos um mês, era sua colega de escritório, cinco anos mais velha, tinha um filho já com quatro, sim, vivera maritalmente com um sujeito durante uns três anos, não me passou despercebido o seu alívio, enfim, quase soou-me a uma confissão, mesmo o tom sôfrego que emprestou à narrativa, perdi a conta às sílabas que...

Uma Vaca chamada Vaz

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  Soube há poucos dias da existência desta Vaca, de nome Vaz, é natural, o meu olhar , confesso, não se demoraria numa Vaca velha, feia, muito feia, disforme, varizes por todo o lado, a relembrar os velhos e saudosos mapas de estradas, a cada mugido só lhe saem boçalidades e cobardias, como sempre, nas costas alheias, nada de novo, somente uma Vaca velha, feia, muito feia, disforme, varizes por todo o lado, talvez este facto a fizesse interessar por mapas, quiçá ao olhar-se, em determinada ocasião, a pergunta a nascer-lhe: não onde levará esta estrada, mas sim, como é óbvio, onde desembocará esta variz? É uma Vaca que gosta de passeatas, ora é vê-la, nos prados, com as suas congéneres, ora em arribas – expectável, com as toneladas avolumadas jamais desceria meio-metro, a menos que um guindaste próximo –, as companhias são as expectáveis de uma Vaca desta dimensão, um boi-albino castrado, também dado a mapas, talvez hipnotizado pela profusão de varizes nos enchidos da Vaca Vaz, ...

Da latrina

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  Há certas criaturas que, devido à sua imundície, é dificílimo imaginar em certos contextos, como, por exemplo, a uma mesa, para redigir estas linhas, confesso, foi-me necessário um esforço desmesurado, por muito pródiga seja a minha imaginação, conceber estes dejectos sentados a uma mesa, com pratos e talheres, a degustar uma refeição, é do domínio da ficção-científica, assim sendo, levante-se a imaginação, mesa de jantar, personagens-tétricas há muito conhecidas, na cabeceira, o pároco-sabujo, com o seu peculiar focinho manhoso, a sua habitual postura de confessor inquisitorial, longe de posturas ululantes sentado em chaimites de pacotilha, a ilustrar mentiras, contadas a tolinhos, há cinquenta e dois anos, ai sabujo, sabujo, sei tão bem quem te espetava no chaimite, até o teu pulôver azul-clarinho ficaria irreconhecível, mas garanto-te um cravo no focinho para a eternidade, ao som de um grândola do cantaroleiro esquerdalho, passaste da batina para o avental num instante, ante...

Pouso Feliz

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  Apercebi-me de que trazia maresia comigo, assim que entro, dela só as costas, nem vestígios do rosto, àquela hora ocupava-se do jantar, enquanto os miúdos algures perdidos num écran, não se apercebeu da minha entrada ou preferiu olhar noutra direcção, quedei-me pela dúvida, se bem que não por muito tempo, afinal, trazia maresia comigo, pouso a chave de forma audível, o suficiente que a fizesse olhar-me, ainda assim, ela não descurou a sua actividade, permaneceu de costas, por momentos, pensei que sentisse a maresia que trazia comigo, é possível, opto por um cumprimento onde se denota uma espontaneidade forçada, quase me arrependo após entoar a última sílaba, porém, era tarde, já não me pertencia, era propriedade do momento, ela, antes de me olhar, propositadamente detém-se no relógio da cozinha, por cima da porta da despensa, nem uma sílaba lhe saiu, nada, apenas o olhar que se deteve, por uns demorados segundos, no relógio da cozinha, por cima da porta da despensa, percebi, de...