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Carta sem Selo
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Ele senta-se a seu lado. Ela permanece impassível, a olhar em frente, de vez em quando a cabeça oscila, como se uma idade de meses, mas não, talvez poucos meses para deixar de ter uma idade, e apenas duas datas, ele olha-a com um carinho preocupado, recosta-se no sofá, pega no jornal, ela com a televisão, mas talvez num qualquer outro lugar, o gato insinua-se pela porta da sala, num silêncio suave aproxima-se, salta para o colo dela, mas sempre a televisão, talvez nem isso, uma qualquer outra coisa, o gato, com o movimento, a descair-lhe a colcha do colo, ele pousa o jornal, antes tem o cuidado de o dobrar, levanta-se, apanha a colcha, e, na ternura singular de um gesto, devolve-a ao seu regaço, regressa ao lugar, a televisão a debitar anúncios, há muito que ele desistira daquele rectângulo hipnotizante, costumava dizer-lhe, antes de ela ser uma ilha, Dali nada de bom… Ao menos o jornal forçava-o a decifrar símbolos linguísticos, sempre era um exercício, de vez em quando, vira...