Há figuras que, de tão obscuras, só nos
apercebemos da sua existência pelo lodacento rasto que deixam, assim é a beata
maledicente, nem lhe conheço a sonoridade das palavras, o mundo, neste ponto,
amanheceu-me, embora arvore, em múltiplas circunstâncias, conhecer-me
familiares, pois, tempo a mais e escassez de intelecto desaguam em verborreia
sobre a existência dos outros, à superfície mulher de muitos valores, sobretudo
religiosos, reitero: à superfície; mais uma papa-hóstias de sacristia, pródiga
em cumprir os ritos eclesiásticos: eucaristias, procissões, acções de
beneficência, parece, avistada da lonjura, rumo à santidade, até se infiltrou
num ramo mais ortodoxo do catolicismo, onde o prefixo “neo” nada augura de bom, como se, alguma vez,
estes lá soubessem o que é uma catacumba, o esplendor da hipocrisia, enfim, a
figura de Cristo tudo escuda, não se equivoque o leitor, Jesus Cristo é das
figuras que mais colhe a minha admiração, daí o meu asco a quem se escude na
sua luz para todo o tipo de vilezas e hipocrisias, nem me alongo a inquisições
e afins, por ora, basta-me o exemplo da beata maledicente; pagelas, contas
rezadas entre dedos, olhar pregado no altar, assumir a dianteira, em procissões,
com o marido, um rotundo idoso, igualmente rato de sacristia, ali vão, com
folhas de palmeira na mão, hossanas gritadas, jamais sentidas, secundados por
dezenas, dos tais que se infiltraram num ramo mais ortodoxo do catolicismo,
tudo num delírio de cantorias e rezas, como se, por desígnio divino, fossem os
escolhidos, cruz ao peito e filhos a rodos, dois sinais identitários, sem
esquecer as cantorias e os retiros, bem disse Cristo, “Deixai-os: são cegos
a conduzir cegos,” há, sem dúvida, uma
lógica subjacente a estes contextos que permite a aproximação destas figuras,
tudo somado, o que dali emerge? Uma beata maledicente! Há uns tempos,
aproximou-se de um incauto sob o pretexto de alertar para um hipotético perigo,
como ela gosta de falar de um pedestal (às vezes, questiono-me de onde provém
tanta carência…), num mundo de sombras, qualquer gesto, de aparente bondade, afigura-se
positivo, no entanto, o tempo, esse frio e cruel juiz dos factos da vida,
desvelou as reais intenções da beata maledicente: ganhar a confiança daquele
peão para o manipular no tabuleiro dos seus interesses… Quem diria? Uma
papa-hóstias de sacristia, pródiga em cumprir os ritos eclesiásticos:
eucaristias, procissões, acções de beneficência, parece, avistada da lonjura,
rumo à santidade; e, pasme-se, pariu oito vezes, pelo menos… Como é possível?!
Se assim são os beatos, imagine-se os satânicos! Como já havia referenciado,
esta beata é pródiga em verborreia sobre a existência dos outros, muito canta,
com uma folha de palmeira na mãozita, à cabeça das procissões, hossanas, mas a
Palavra de Cristo é-lhe uma total incógnita, “Não deves julgar”, um dos mais sublimes mandamentos do
Nazareno, não foi, de todo, assimilado por esta criatura, reconhecida pelo seu lodacento
rasto, aqui chegados, resta questionar: Será escassez intelectual? Ou simplesmente
um carácter torpe? De formação está nas misturas químicas, até aí bem distante
do Logos, é vê-la a entrar em reuniões,
à porta fechada, por corredores sombrios, para debitar informações colhidas a
mais incautos, outra das curiosidades desta personagem, não são muitas,
convenhamos, está precisamente no facto de ocultar os grisalhos com que o tempo
a presenteou, ao contrário de outros elementos femininos da seita a que
pertence, que se orgulham de cada grisalho como se uma bênção, desconheço se
chegam a cantar hossanas, com uma folha de palmeira na mãozita, para celebrar a
sua chegada, pois, é possível que sim, a beata maledicente gosta de passeios,
uma forma de contornar o horário laboral, uma praxis sua de há muito, por estes
dias, irá a caminho de Madrid, na companhia de uma Porcachona, imagine-se o
conteúdo de tais diálogos: uma verborreia de baixo intelecto com os grunhidos
enlameados em dejectos de uma Porcachona: nem restará um santinho no altar
aquando do regresso… Até deixo uma sugestão: a beata maledicente levar a sua
viola, a Porcachona um microfone para emitir os seus grunhidos, e que dupla
promissora teríamos, bom, é melhor deixar a folha de palmeira fora da equação,
não vá a Porcachona confundir com um dejecto e prontamente engoli-la… Caro
leitor, não permita que estas linhas esmoreçam a sua fé, beatas maledicentes há
em todos os cultos, que tenham parido oito vezes talvez não haja assim tantas,
com tamanha verborreia, de baixo-intelecto, sobre a existência dos outros,
também não, mas bem disse Cristo, “Deixai-os: são cegos a conduzir cegos.”
Livros do Escritor
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A beata maledicente
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