Apesar de em despedidas do Outono da vida,
desconhecia que sonho e pesadelo são faces da mesma moeda, quis terminar a sua
caminhada profissional naquele lugar, guiado pelo sentir de um regresso a “casa,”
também ignorava que as coisas nunca ficam
onde as deixámos, até ao último expirar por aqui se aprende, não fosse esta
existência a verdadeira escola, uns mais à frente, outros eternos repetentes,
há inevitavelmente os familiares das cábulas, por bem votados ao malogro na
hora final, esta decisão, de terminar a sua caminhada profissional, naquele
lugar, foi há uns bons anos, talvez a ânsia de reencontrar os passos do pai,
embora, de forma insistente, a voz materna, volta e meia, “Aquilo é uma
tropa fandanga comunista… Aquilo é uma tropa fandanga comunista… Aquilo é uma
tropa fandanga comunista…”, antes de se
oficializar o regresso, chegou a lá entrar como mediador de um litígio
burocrático, lírico como sempre, ignorava outro facto: “Não se joga limpo
num lodaçal”; foi gozado e encostado por
duas pantanosas criaturas, uma que até se apossou de actividades de outrem, no
lodo a ética não encontra porta de entrada, diante de um papelito forjado não
encontrou argumentos, pois, “Não se joga limpo num lodaçal”, denotou a entrada diferente, com uma inclemente
aridez luminosa, as copas do ontem, por ali, nem memória, tudo se evolou sob o
aval do sorriso manhoso do sabujo, mais conhecido por aqueles lados como o
Chaveiro, uma árvore é memória e prenúncio de amanhã, com o seu extermínio, ali
somente um eterno presente de mentiras, ou nem a isso chega, nada por aqueles lados se
abre ou fecha sem a anuência do Chaveiro, mais de quatro décadas de lodaçal
permitem-lhe, como é natural, um profícuo conhecimento do que deve ser exposto
ou ocultado, só a total carência de luz permite que tal criatura por ali
continue a chafurdar no lodo, um simples coitadito, chaves na mão, manha no
sorriso, é vê-lo a deambular pelos corredores, volta e meia detém-se atrás das
portas, a ver se algum hipotético prevaricador ousa uma mensagem contraditória,
o sistema de controle, por ali, tem a idade do homem, uns favores, na forma de
aparentes regalias, para enganar os tolinhos, carne-podre atirada a rafeiros
famintos, e logo os têm, do seu lado, atrás das portas, a ver se algum
hipotético prevaricador ousa uma mensagem contraditória, a outra figura
central, como não podia deixar de ser, deste lodaçal, foi eleita pelo Chaveiro,
fisicamente, para um homem com um mínimo de bom gosto, é o primeiro passo para
a beatitude, das mais que rotundas ancas, ao abolachado focinho, terminando nos
fios capilares semelhantes a uma qualquer esfregona em gritos de reforma, não
vale a pena gastar mais sílabas, ambos, há uns anos, realizaram uma purga, com
a conivência dos rafeiros famintos, alimentados com nacos de carne-podre, para
eliminar qualquer ser pensante, até passado e presente verdes caíram sob o
serrote de trolhas monossilábicos, quis terminar a sua caminhada profissional
naquele lugar, guiado pelo sentir de um regresso a “casa,” o conceito que, por estes dias, mais lhe
povoa o espírito está nos antípodas de casa, é desolação, onde antes ordem e respeito, hoje corredores
com corpos, subtraídos de alma, esparramados pelo chão, tudo num frenesim sem,
por um segundo, retirar os olhos de um cárcere rectangular, perplexo com tanta
arrogância provinda de corpos subtraídos de alma, figurinhas com anseios de
figurões, apenas e só, tudo promovido pelo Chaveiro, de sorriso manhoso, e pela
outra figura central, fisicamente, para um homem com um mínimo de bom gosto, o
primeiro passo para a beatitude, ainda tentou, por aqueles corredores, bater às
portas do ontem, deparou-se com a total impossibilidade, tudo fechado à chave,
um silêncio opressivo sobre as coisas, de forma insistente, a voz materna,
volta e meia, “Aquilo é uma tropa fandanga comunista… Aquilo é uma tropa
fandanga comunista… Aquilo é uma tropa fandanga comunista…”, há uns anos, realizaram uma purga, com a
conivência dos rafeiros famintos, alimentados com nacos de carne-podre, para
eliminar qualquer ser pensante, até passado e presente verdes caíram sob o
serrote de trolhas monossilábicos, o lugar do saber, povoado de lombadas e
lombadas, só visível através do vidro da porta, ainda há quem tenha, no
lodaçal, horário para dele se ocupar, mas como se o Chaveiro o encerrou?
Trata-se de uma figura masculina, não obstante possuir um aparelho-reprodutor
feminino entre as pernas, enfim, vivemos a era das aberrações, esta é mais uma de tão infinito
número, e como aquele lodaçal é fértil nestes vírus, o quadro foi-se-lhe
apresentando em todo o seu denso negrume, em certa ocasião, ouviu uma
sujeita, com nome de azeiteira, e uma proeminente barriguita, que sempre lhe
conferia ar de eternas esperanças, a debitar pura maledicência sobre, claro, um
ausente, todo o cão ou cadela ladra atrás de um portão, ousou intervir e
questionou se, por acaso, o conheciam, prontamente a azeiteira de nome,
detentora da proeminente barriguita, lhe respondeu que ouvira dizer, por outras
palavras, apresentou-se como um simples pombo-correio, não filtra a mensagem,
limita-se, como acéfala que é, a transmiti-la, que pena o cérebro estar tão
aquém da proeminente barriguita, talvez, desse modo, houvesse esperança de um
raciocínio mínimo, nada disto o demoveu, tentou, no que lhe concerne, realizar
o seu trabalho, no entanto, uma após a outra, uma após a outra, as portas
fechando-se, pelos ecos dos corredores apenas o sorriso manhoso do sabujo, mais
conhecido por aqueles lados como o Chaveiro, em certa ocasião, alguém relatou
que a eleita pelo Chaveiro, fisicamente, para um homem com um mínimo de bom
gosto, é o primeiro passo para a beatitude, das mais que rotundas ancas, ao
abolachado focinho, terminando nos fios capilares semelhantes a uma qualquer
esfregona em gritos de reforma, afirmou que todas as portas estavam encerradas
para um certo sujeito, coitadinha, todo o cão ou cadela ladra atrás de um
portão, o intelecto inversamente proporcional à volumetria das ancas, o sujeito
a que se referia, antes de sair, bateu estrepitosamente com todas as portas,
tem um asco-visceral a figurinhas que desejam passar por figurões, a
tropas-fandangas comunistas, a sabujos, de sorrisos manhosos, a aberrações que
renegam o que Deus lhes colocou entre as pernas, e, quanto a mulheres, está
muito longe dos caminhos da beatitude, por conseguinte, gosta e muito da beleza
feminina, por lá continua aquele que se deixou levar pela nostalgia, talvez um
dia encontre uma porta aberta para o ontem…
Livros do Escritor
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Purgatório
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