Livros

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017


"Porém, quando a noite entra na nossa vida, é quase impossível perceber quão fugaz é a sombra do dia. "

in "É preciso morrer para ser visto"

domingo, 15 de outubro de 2017


"Bem sei que ele queria um filho que nadasse como Johnny Weissmuller. Investi largas centenas de piscinas na satisfação do seu desejo. Acompanhou cada passo da evolução aquática. Creio que, neste aspecto, não o desiludi. Nos verões de praia, ainda hoje desconfio, que ele sustinha a respiração cada vez que me lançava à água, e bracejava com estrépito rumo à heroicidade, como se nele estivesse contida toda uma plateia cinematográfica ansiando pelos feitos do seu herói.
 Mas aconteceu-me algo que acontece a todos os filhos: cresci. E este fenómeno não se dissocia do refinamento do espírito crítico. E é aí que olhamos os nossos progenitores, do alto das nossas convicções inabaláveis próprias da então desconhecida efemeridade da juventude, e os desvelamos na radiografia das suas fraquezas e iniquidades. E então pensamos: como querem estes ensinar-nos algo? Eles próprios nada aprenderam. Hoje, já não penso assim. Hoje já não tenho convicções tão profundas. Hoje, de modo muito particular, sinto falta do seu sorriso de luz. Tinha uma forma única de conciliar tudo à volta do seu sorriso. E esta é uma qualidade muito rara."
in "Crónica ao Johnny Weissmuller"


domingo, 8 de outubro de 2017



"Noites de hospital, noites de gritos de uma dor só. Num momento de pausa, ela atravessa corredores de desespero, até à enfermaria onde ele se encontrava, uma desculpa profissional para se justificar por ali, mas ele ausente, a sua pausa a expirar, regressava quando o vê sair de um gabinete, num esforço patético de naturalidade, acompanhado de outra enfermeira, que se digladiava com uma chuva de cabelos para repor a touca, ela cola-se à parede do lado oposto do corredor, numa ânsia de invisibilidade, passa por eles, nada é dito, nem um cumprimento, de novo, uma questão cansada lhe surge A que sítio pertencemos?"

in "Do outro lado do rio, há uma margem"

terça-feira, 3 de outubro de 2017



"Sempre que me falam de cinema, é a cena final, deste maravilhoso filme, que me povoa, não sei porquê, ou talvez saiba, afinal, não há questões sem resposta, teria os meus doze anos quando, lá por casa, meu pai Tens de ver este filme! Ouvi-o e, de imediato, assenti, regra geral, sempre que meu pai (Tens de ver este filme!), acertava, neste caso, foi mais além…"


"Se algum dia me sentir só com as minhas convicções, sempre posso ligar a televisão, agarrar num certo dvd, ouvir o eco de uma voz (Tens de ver este filme!), e rever Shane, e quando, no final, assistir à sua partida, rumo às montanhas anoitecidas, resta-me acompanhar o miúdo no seu grito final: Adeus, Shane!"
in "Adeus, Shane"

terça-feira, 26 de setembro de 2017