Livros

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domingo, 24 de junho de 2018

Já ninguém morre por amor?





Ontem saí da tua rua com a alma na sola dos sapatos. Não imaginas o que me custou deixar-te! Não acreditas? O quê? Achas que digo isto a todas? Estás bem enganada! Se encontrares alguém que te ame 1/10, do que eu te amo, dá-te por feliz. Não, disto não podes duvidar! Queria tanto ter ficado contigo… Estive quase a ceder à vontade de subir, de adormecer a teu lado, abraçados apenas, às vezes é o suficiente, não achas? Parece que o próprio amor se eleva, não sei… Reparei que olhaste para trás, ainda no passeio, palavra de honra, sei que me vou repetir, mas não sei como consegui sair da tua rua, perdia-me a olhar-te pelo retrovisor, nem sei como consegui fazer aquela curva à esquerda, de repente, alguém entra no espaço do nosso viver e torna-se personagem principal, é isto que se passa, tu és a personagem principal do meu existir! (...)

quarta-feira, 20 de junho de 2018


segunda-feira, 18 de junho de 2018




"... lembra-se no outro dia, lá no café, estava a servir-me, enquanto a sua mão, com a chávena, num movimento descendente em direcção à mesa, eu a desejar que o mundo se esquecesse de nós, a sentir o seu perfume, porventura barato, mas sempre honrado, nisto, os nossos olhares a encontrarem-se, e uma linguagem além-palavra, no fundo, quanto dissemos de nós naquele instante, eu acho que lhe disse tudo, você também algumas coisas, uma súbita sombra de timidez pelo seu rosto, eu a distanciar-me de mim, a perder-me nesse novo continente que era a sua face, você, apesar da timidez, permanecia na honra de me suster o olhar..."

in Olhos que se olham, almas que se tocam

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nós temos sempre a idade do momento





Uma das piores coisas da vida é ver um erro grosseiro repetir-se, bem diante de nós, sem que nada possamos fazer para alterar o rumo do acontecer, isto geralmente devolve-nos um sentir de orfandade, uma regressada incompreensão das coisas, como se nos aproximássemos de uma janela, para vislumbrar a ansiada paisagem, contudo, quando estamos mesmo a chegar, mesmo a chegar, quase a sentir a brisa no rosto, logo se fecha, com estrondo, diante da nossa incredulidade, mas uma questão impõe-se: por que é que permitimos que um grosseiro erro se repita? De facto, se houvesse resposta para tal, eu teria sanado do meu existir tão nefasto regresso, em vez de assistir, impassível, ao seu desenrolar, bem diante de mim (...)

segunda-feira, 11 de junho de 2018



Percebi-lhe, aos primeiros olhares, uma miríade de emoções, entre a alegria de me ver e a dor infinda de se saber sentado, esmagado de encontro aos seus sonhos moribundos, mas é curioso, assim que trocávamos as primeiras frases, restabelecíamos a nossa singular empatia, que nos levava, madrugadas infindas, a confidenciarmos a alma, enquanto ouvíamos melodias que nos relembravam quantos já fomos nesta vida…
in Harmonia