Livros

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domingo, 21 de outubro de 2018

Creio que não podia ter sido de outra forma



Ando para te escrever há um bom tempo, bem sei, mas, confesso, não tenho encontrado disponibilidade para tal, e paciência ainda menos, sempre isto ou aquilo a interpor-se no caminho, contudo, hoje, quando cheguei a casa, decidi que este silêncio não devia persistir, daí a razão do meu telefonema, não, não precisas de dizer nada, ouve-me só, está bem? Bom, antes de mais, já sei em que pé estão as coisas, estes dois meses e meio foram balsâmicos para arrumar as coisas aqui por dentro, percebes, não é? Como se as coisas, algum dia, se arrumem definitivamente no armário do nosso sentir, vamos acreditar que sim, eu, pelo menos, voltei a entrar num cabeleireiro, isso é bom, não achas? Não, não vou fazer o número da mulher forte, independente, fria, senhora do seu destino, não, nada disso, sabes, com o tempo, cansei-me das máscaras, pesam muito, e só nos ensinam, com a demasia do seu peso, a olhar o chão (…)

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Eles repararam, do seu lado esquerdo, na abundância de esguias sombras, que desafiavam, em simultâneo, o abismo e as águas, num equilíbrio precário, como se não pertencessem a nenhum dos mundos, ou talvez pertencessem a ambos, porque das suas mãos saía o elo da abnegação.
in Queria rever o teu rosto ao entardecer


quinta-feira, 11 de outubro de 2018


Vezes demais olhamos o mundo da janela do desejo.
in Paragem de autocarro

domingo, 7 de outubro de 2018

Paragem de autocarro



Pela janela da sala, do outro lado da rua, eu via a paragem de autocarro, nunca liguei muito àquela armação metálica onde, quase sempre, fora da hora prometida, chegava um veículo para despejar gente e levar outra tanta, como se mercadoria, só que quem subia e descia aqueles dois degraus eram sonhos, embora a maioria inconclusos, no fundo, creio que a totalidade, da janela do hoje já não vislumbro uma paragem de autocarro, e tenho saudades, porque, a partir de certo momento, eu tudo via menos aquela armação metálica, minha mãe, no início, ficava, da janela, a ver-me atravessar a estrada, de mochila às costas, por norma, nunca me sentava naquilo que se convencionou apelidar de banco, primeiro, porque estava sempre ocupado, independentemente da hora, segundo, nunca me deu para tal, ainda bem, cedia espaço a quem, de facto, dele precisava, e aqueles minutos de espera sempre serviam para esticar as pernas, foi, lembro-me tão bem, no segundo dia de aulas (…)

sábado, 6 de outubro de 2018


Hoje pensei na frase do adeus ao aqui, creio que esta seja a mais ajustada: Talvez por aqui o meu pensar encontre a serenidade…
in Epitáfio