Livros

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quarta-feira, 19 de setembro de 2018


sábado, 15 de setembro de 2018

Regressar



Setembro chegava e consigo trazia algo de funesto, ela nunca soube concretizar o quê, se o regresso ao trabalho, a escola dos miúdos, o encolher dos dias, a partida do calor rumo a outras paragens, o chão cobrir-se de folhas enquanto o olhar com um horizonte de esquálidas ramagens, contudo, para ela, Setembro sabia-lhe a inquietude, tudo num regresso ao lugar embora o seu há muito perdido, ainda há uns dias, em lugares da infância, um pouco de paz pelo seu sentir, a expressão aligeirada, talvez por não olhar a memória ao longe, passavam cerca de duas semanas por ali, nos dois últimos anos, as miúdas mais inquietas, com reivindicações de toda a ordem, o nada para fazer, ela ainda em argumentações, estéreis, diga-se (Mas que mal tem? Descansem!), porém, as filhas em uníssono (Descansem?! Sinceramente! Mas somos algumas velhas ou quê? Todos os nossos amigos vão de férias para sítios espectaculares, pois vocês enfiam-nos sempre neste fim do mundo), ela ouvi-as perplexa, mas havia um ponto que não podia tolerar, aquele jamais seria o fim do mundo, quando muito, seria o início, pelo menos, para ela, sim, sem qualquer dúvida (...)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018



Parece que, de certa forma, vamos sendo empurrados para fora do palco do existir: pela saúde, pelas modas, tecnologia, convenções, ideias, hábitos…

in Harmonia

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Etc…


Acabo de terminar a chamada e ainda perdura em mim a voz, melodiosa de esperança, da minha filha mais nova “Domingo, não queres vir almoçar cá a casa connosco?”, acho espantosa a sua inextinguível capacidade de perdão, depois de tudo, sento-me na cama e olho a fotografia, talvez ali propositadamente colocada, na mesa-de-cabeceira, pela minha mãe, nós os quatro, sorridentes, como não podia deixar de ser, foi no casamento de um primo dela, as miúdas bem mais novas, é natural, passaram doze anos, e parece que foi há pouco, talvez anteontem, doze anos, meu Deus (levanta-se-me, de imediato, uma velha e cansada questão: Quando perdi o tempo?), contudo, se atentar bem, tanta coisa passou, os sorrisos daquela foto esmoreceram, o casamento do primo também, tal como o nosso, e por total culpa minha, agora que olho para isso, desta distância, ainda a voz, melodiosa de esperança, da minha filha mais nova (“Domingo, não queres vir almoçar cá a casa connosco?”), continuo sem perceber muito bem se errei, porque, de certa forma, não, minto, se me fosse concedida a possibilidade de retornar no tempo, sei que daria exactamente os mesmos passos, não há como lhe fugir, com todo o sal que daí brotou, em mim e nos outros (...)