Hoje encerro a trilogia sobre estas
ridículas figuras, a Porcachona e o Tintim, a cobardia do supracitado título
não é um acaso, após as duas anteriores crónicas, onde, convenhamos, estas
personagens tão bem foram retratadas em toda a sua esplendorosa mesquinhez, como
se mais tivessem para oferecer ao mundo, reuniram-se para tomar medidas,
impunha-se um contra-ataque, mas como…? Escrever? Pois, o Tintim, esse boneco
de andar bamboleante, com o livrito debaixo da sovaqueira, tentou por múltiplas
vezes articular frases sobre folhas-em-branco, o resultado final, enfim, apenas
uma dolorosa pobreza, guardou a frustração para si, é necessária nobreza para
assumir as fraquezas, a vida, inclemente, apontou-lhe a margem de leitor, em
verdade, não lhe fora concedido engenho para mais, daí o omnipresente livrito
debaixo da sovaqueira, assim que o mercado chama as ovelhitas, lá vai o boneco,
atrás do rebanho, para, no dia seguinte, preencher a sovaqueira com o último ditame,
por conseguinte, escrever muito para além das suas diminutas capacidades, a
Porcachona, então, escrever só se fosse para comédia alheia, não, por aí o
caminho nitidamente vedado, confrontar o autor também não se lhes afigurou
possível, são de essência cobarde, tudo pelas costas, maledicência, conluios,
inveja, sublinhe-se, uma vez mais, o boneco ambicionava ser escritor, a
Porcachona é simplesmente uma frustrada, que se aproxima a largos passos dos
sessenta, percebe que já ninguém lhe pega, pariu duas vezes, embora, pela
volumetria das ancas, se afigure a génese de uma pocilga, e o que podia fazer o
boneco, com aqueles descarnados membros, tamanho só acumula na cintura, até o
cocuruto, há muito, em obscena nudez, para aguçar a fantasia do leitor: imaginem
um boneco, carequinha, de andar bamboleante, redondinho, apesar de uma camisa
largueirona na desesperada tentativa de calar este facto, aproximar-se de
alguém e, num sumido tom de aviso, “Veja lá se quer levar um
tabefe…”; pois, não, a coisa não poderia
ser por aí, onde o Tintim conseguiria arrojo para tal, uma vez que a sua testosterona
é proporcional aos escassos grisalhos sobre o cocuruto, um contra-ataque
público também não seria boa ideia, são de essência cobarde, tudo pelas costas,
maledicência, conluios, inveja, e a Porcachona já foi avisada “Ten mucho
cuidadito, Porcachona, el mundo es pequenito,” a coisa teria de ser mais subterrânea, são criaturas das sombras,
íntimas de ratazanas e outras tais, uma mensagem por uma dessas actuais
redes-privadas, ora nem mais, mas quem escreve? Aqui a Porcachonha, de forma
lesta, ofereceu-se, o boneco ainda ponderou, mas receou que, se fosse o
primeiro a levantar-se, todos ficariam a olhar para o seu andar bamboleante,
vivemos, sem dúvida, tempos onde a intolerância impera, há algum mal que, na
locomoção, alguém goste de sobressair as ancas? Sinceramente, abaixo os
preconceitos, deixem o Tintim dar às ancas, até fez um casamento interessante, na
vida há que sopesar muito bem as escolhas, umas ancas bamboleantes, pelo menos,
são garantia de uns passitos de dança na direcção certa, ela proprietária de
uma casa a Sul, assim sendo, permitem que, todos os Verões, o nosso boneco fique
morenito, não por acaso, prudente como é, já adquiriu múltiplos chapéus, aquele
cocuruto em obscena nudez, apesar da celeridade com que se voluntariou, a
Porcachona logo se debateu com a sua total falência para articular palavras,
nem insultar por escrito lhe foi possível, compreende-se, é uma Porcachona,
mais não lhe é exigível, neste particular, os tempos correram a seu favor, uma
Porcachona não sabe jogar limpo, quem vive da e na imundície a mais não pode
aspirar, lá se valeu do actual substituto do intelecto humano, no seu caso nem
se pode denominar de substituto, uma vez ser totalmente desprovida de
intelecto, em última instância, e bem vistas as coisas, não foi das suas jogadas
mais abjectas, buscou o que não possui: inteligência; no dia seguinte, em
júbilo, pô-la a correr na tal rede-privada, claro que houve o cuidado de não
estar assinada, a memória de um aviso “Ten mucho cuidadito, Porcachona, el
mundo es pequenito,” o boneco, prudente
como é, também declinou assinar, não fosse alguém arranjar-lhe um novo andar,
só quem, de facto, padece de total ignorância, julga que estas coisas ficam em
privado, um pombo-correio, com nome de azeiteira, despeitado, enviou para um
sujeito, com a esperança de que este o fizesse chegar ao visado, coitadinha, julgou
todos por si, como resposta “Eu não sou pombo-correio, tem aqui o contacto
de quem por direito”, o pombo-correio, de
nome azeiteira, também é cobarde, tudo pelas costas, maledicência, conluios,
inveja, são criaturas das sombras, íntimas de ratazanas e outras tais, a
somar a tudo isto há favores, muitos favores, três anitos de contrato seguidos
para garantia permanente do pãozito na mesa, assim se estabelece a obediência
cega destes acéfalos, claro que nada enviou, pudera, esta é a realidade dos nebulosos tempos que atravessamos, onde a Cobardia é o único Norte possível aos miseráveis
acéfalos, toda a minha escrita é pública e assinada, pois quem nasce com
coluna-vertebral não sabe rastejar.
Pedro de Sá
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