in Nuvens passeantes pelas águas
Livros do Escritor
domingo, 18 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
Quem te anoitece os dias?
Quando
menos esperamos, num acaso do destino, de manhã ou de tarde, até de noite, em
escassos segundos, a vida relembra-nos que nunca estivemos ao leme de nada, é
estranho, às vezes, sinto-lhe prazer nesse jogo de forças, como se nos
espelhasse a real insignificância de sermos, comigo aconteceu há umas semanas,
estava nas compras, nem costumo ir àquela superfície que apela a pernas e
paciência, nunca gostei da desumanidade desses espaços, contudo, tinha o miúdo
na natação, que ali fica perto, algum tempo ainda, um jantar para fazer, resolvi
entrar, como dizia, nunca gostei da desumanidade desses espaços, tudo numa
artificialidade excessiva, do brilho do chão ao sorriso plástico dos
empregados, percebi-a ao fundo de um corredor, estaria a cerca de cinquenta
metros, era a zona da decoração doméstica, de um lado, quadros, bibelôs,
molduras, velas, umas perfumadas, outras coloridas, caixas, caixinhas, do
outro, tolhas, turcos, lençóis, capas de colchão, tudo numa espiral de cores e
tamanhos, pela silhueta percebi o fundamento do que se dizia, de facto já se
notava, até ia bem adiantada, segurava uma moldura e consagrava-lhe uma ternura
atenciosa, percebia-se-lhe o destinatário, mantive-me onde estava, ela longe da
minha presença por ali, continuei a observá-la, pois, a silhueta, nisto, eu não
via o que olhava, mas sim o que pensava, e eu era números, e uma questão
inarticulada e sofrida nascia, numa dolorosa lentidão, pelo meu pensar…
Não
sei porquê, mas olhava para ela, ao fundo do corredor, estaria para aí a uns
cinquenta metros, e a imagem dele por ali, de uma outra forma, até para me
organizar, não conseguia dissociá-los, já me acusaram de tanta coisa, por causa
destas minhas ideias, várias amigas repetidamente (Mas tu és doida? Já viste aos anos que vocês são casados? Que
disparate! Vai-te curar, mulher! Continua com essas coisas, continua, que ainda
arranjas o teu divórcio… Olha que sinceramente, o teu marido é um santo… Só
ele, para aturar esses devaneios… Dá valor ao que tens, e deixa-te de
parvoíces…), de certa forma, percebia-lhes a boa-vontade, o que já não é
mau por estes dias, quando tudo se apaixonou pela divisão, talvez para assim se
engrandecerem, no entanto, não sei porquê, hoje, a contemplar aquela silhueta,
a cerca de cinquenta metros, a imagem dele por ali, não sei como explicar, bem
sei que estamos juntos há quase dez anos, sob as leis do céu e dos homens, bem
sei que o nosso filho, faltam três semanas para fazer oito anos, está na
natação, fica aqui perto, sei de tudo isto, mas… A primeira vez que falei
nestas coisas, em verdade, foi quando consegui, com palavras, dar corpo a uma
angústia que me povoava há demasiado, minha mãe não estranhou, embora o
disfarçasse, lembro-me tão bem, a luz de um Outono ainda Verão lá fora pintava
a tarde da cidade, concedia-lhe a tonalidade de um tempo que se prolonga na
despedida, como um diálogo que se alimenta de olhares no lugar de palavras, era
Sábado, ele saíra para o futebol com os amigos, comecei por, a olhar um ponto
indeterminado, fingindo arrumar algo, lhe dizer Acho que ele ainda gosta da… Nunca lhe consegui verbalizar o nome,
não sei porquê, ou talvez saiba, ainda de pé, minha mãe fixou-me, percebeu o
esforço de cada sílaba, era uma mulher que apreciava o esforço de compor em
palavras o que, afinal, somos… Retorquiu, Desculpa,
mas estás a falar de quem ao certo? Percebi, de imediato, que trazia
distância às coisas, afinal, no horizonte tudo se torna relativo, A mãe sabe muito bem de quem estou a falar:
do meu marido e da sua primeira... Após esta frase, deixei o ponto
indeterminado e desci o meu olhar ao seu rosto, não havia, por ali, sinais de
cansaço que é comum encontrarmos naqueles que conhecem este mundo há tanto,
não, nada disso, havia apenas uma serena ironia, no fundo, talvez fosse a opção
encontrada para se levantar em cada amanhecer, eu continuo em busca da minha,
daí esta dificuldade em compor palavras para ilustrar angústias de há muito, Deixa-te de rodeios! Porquê isso agora? Onde
foste buscar tal coisa? A voz adensava-se-lhe, era nítido, as sílabas
tornavam-se mais pausadas, levantei o meu olhar do seu rosto em busca de um
porto de abrigo, longe de recriminações surdas e de críticas inarticuladas, Um dia destes, hás-de conseguir destruir o
teu casamento, ouve bem o que te digo! Ele há-de cansar-se de tanta estupidez!
Casou-se contigo há dez anos e, mesmo assim, continuas com essas parvoíces… O
que queres mais dele? Diz-me! Sabes, és daquelas pessoas que só adensa a
sombra… Sempre tiveste um lado invernoso bem latente em ti, desde criança. É
curioso, agora que falo nisso, lembro-me tão bem, no Verão tornavas-te
taciturna, em monólogos à sombra, enquanto todos em risos e correrias à volta
do lago, lembras-te? Pois… Cuidado, é tudo o que te posso dizer. Compreendi
o que me queria dizer, era o expectável, o tom condescendente e pedagógico
mantinha-se, por vezes, não sei se me reconfortava ou se me exasperava, por
isso, avancei Ela está grávida! E,
fazendo as contas, ajusta-se àquele período em que ele saiu de casa… Quando
discutimos por causa de… Pois, ela desconhecia essa zanga, arrependimento e
alívio passaram por mim após este desabafo, mas já era tarde, a frase já não me
pertencia, agora era do domínio daquela realidade (a luz de um Outono ainda
Verão lá fora pintava a tarde da cidade, concedia-lhe a tonalidade de um tempo
que se prolonga na despedida, como um diálogo que se alimenta de olhares no
lugar de palavras, era Sábado, ele saíra para o futebol com os amigos), ela
preferiu sentar-se, o tempo nunca se esquece de nós, embora façamos tudo para o
ignorar, ele é o nosso mais fiel companheiro de viagem e, a qualquer altura,
quando menos esperamos, relembra-nos a sua presença, repetiu, várias vezes, a
frase para si mesma Ela está grávida! Ela
está grávida! Ela está grávida! Levantou-se, tomou a direcção da porta da
rua, secundei-a, antes de sair, olhou-me, uma vez mais, como a criança que fui,
só mais tarde compreendi que os pais olham os filhos com todas as idades, só
mais tarde, tão tarde, e disse-me Minha
filha, quando ele chegar casa, abraça-o e repousa o teu rosto no seu peito. Se
estiveres bem atenta, todas as dúvidas serão esclarecidas. Sabes, isto de viver
não é assim tão complicado, mas só percebemos isso quando o olhar desce sobre a
terra.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
Quando o mundo se esquece de nós
Ainda
me lembro da primeira vez em que esse assunto se interpôs entre nós, foi num
Sábado de manhã, ao pequeno-almoço, ele a folhear um desses catálogos de casas
deixados na caixa-de-correio, entre a torrada e a caneca de café com leite, uma
altura em que até nos estranhamos, é normal, depois de cinco dias sob a tirania
dos ponteiros de qualquer relógio que a nossa vista alcance, esta súbita
indolência é recebida com estranheza, mas regressemos ao tal assunto, como
dizia, Sábado de manhã, o pequeno-almoço, ele a folhear um desses catálogos de
casas deixados na caixa-de-correio, entre a torrada e a caneca de café com
leite, em verdade, quando falou, ainda o ouvia mastigar despojos da torrada, Já viste quanto custa uma vivenda na
província? O mesmo que um apartamentozito de uma assoalhada por aqui! E,
repara, até tem algum terreno… Isto, sim, é viver! Parece que nos tornamos
senhores do tempo, em vez de seus escravos… Olhei-o, já de pé, estava a
arrumar a louça, mas não lhe respondi, pensei, confesso, que se tratava de mais
uma das suas incursões diletantes, ainda acrescentou duas ou três frases, já
não o ouvia, por fim, para que saísse dali, começava a irritar-me aquele interminável
folhear do panfleto publicitário de mais uma imobiliária, pomposamente
apelidado de catálogo de casas, disse-lhe Agradecia
que fosses dar banho ao miúdo, enquanto eu acabo de arrumar a cozinha, sempre
que fazia algo a contragosto, ele cerrava os lábios e olhava para o chão, era
uma forma de os impropérios se tornaram inaudíveis e de ninguém perscrutar a
sua expressão enfadada, saiu a arrastar os pés, agradeci o silêncio restituído,
nisto, reparo na publicidade das casas, que ele tanto apregoou, aberta em cima
da mesa, sento-me, de facto, uma vivenda, com duas salas, três casas-de-banho,
quatro quartos, seiscentos metros quadrados de terreno, custa o mesmo que este
nosso acanhado apartamentozito, uma salita, apenas um quarto, uma
casa-de-banho, ainda por cima minúscula, sem direito a banheira, o que eu sonho
com um banho de imersão quando chego tarde do trabalho, então à noite, já nem
as pernas sinto, como é primeiro-andar, a vista somente alcança o prédio em
frente, se o céu quero ver, só olhando as alturas com a cabeça fora da janela,
a ideia começou a germinar também em mim… Estávamos juntos há quatro anos,
engravidei no decorrer do primeiro, porém, ele já tinha uma filha de oito anos,
do seu anterior relacionamento, volta e meia, falava de casamento, pois, mais
uma das suas incursões diletantes, gostava que abordasse o tema, não sei
porquê, ou talvez saiba, em cada mulher há uma menina que nunca se despediu,
mas nunca fez parte dos meus planos, parecia-me o fim de algo, como se
retirassem cor a um sonho, um pouco isso, sempre preferi o caminho à berma,
contudo, o tema regressava, Não achas que
está na altura de nós… Já viste, estamos juntos há quatro anos, bem sei que se
trata de um papel, mas acho que é importante dar esse passo… Até para o miúdo,
que está quase a fazer três, faria toda a diferença… E sabes que tenho razão.
Claro que não é por causa de qualquer tipo de preconceito social, é, antes de
mais, por não ter dúvidas sobre o que por ti sinto… Quando ele dizia estas
coisas, a menina que nunca de mim se despediu suspirava, mas o fim de algo,
como se retirassem cor a um sonho, se caminhávamos tão bem, para quê sentar na
berma?
Regressei
a mim, já uma vivenda, com duas salas, três casas-de-banho, quatro quartos,
seiscentos metros quadrados de terreno, que custava o mesmo que um acanhado
apartamentozito, com uma salita, apenas um quarto, uma casa-de-banho, ainda por
cima minúscula, sem direito banheira, e o que eu gosto de um banho de imersão
quando chego tarde do trabalho, então à noite, nem as pernas sinto, a mudança
demorou menos que dois anos, mas fui tudo tão rápido, só com a idade é que
percebemos que o tempo acelera e desacelera consoante a geografia de uma
existência, desenganem-se os que afirmam a constância do seu fluir, tolos é o
que lhes posso dizer, quantas vidas encerra um minuto? Foi quando pousei a
última mala, que um pânico mudo de mim se apoderou, ele, com o miúdo às
cavalitas, dava ares de um cicerone encantado e percorria as várias divisões da
casa, encostei-me à parede a suar, trémula, diante de mim, a visão de um deserto, iria regressar-me noutras ocasiões, mas, sem
dúvida, essa foi a primeira, e uma questão formou-se-me no pensar, porém,
evolou-se quando caminhava para a fala… A noção de desastre! Quantas vezes,
numa vida, esta clarividência? Nascida, neste caso, do baque surdo da última
mala no soalho da entrada. Na primeira noite, ele procurou-me, e segredou-me
melosamente ao ouvido Temos de celebrar,
não achas? Aleguei cansaço, a mudança, a viagem, tudo, felizmente, não
insistiu, a luz de cada dia tem a fatalidade de nos devolver o que somos nessa
data, a noite, pelo menos, aproxima-nos do que gostaríamos de ser, pois, o
sonho, como dizia, nessa primeira manhã, ele quase saltou da cama em cantorias,
enaltecia cada pormenor com uma alegria genuína, permaneceu nas faldas do meu
terror (diante de mim, a visão de um
deserto), felizmente para ele, contudo, o tempo lá pegou na sua mala e
decidiu voltar à estrada (quantas vidas
encerra um minuto?), à tardinha, quando regressava, sentava-se para ali no
quintal (seiscentos metros quadrados de
terreno), de cigarro na boca, a olhar a serra por onde a noite já
caminhava, via-o pela janela, dominada pelo terror (diante de mim, a visão de um deserto), que imensa
saudade quando a vista somente alcançava o prédio em frente, se o céu queria
ver, só olhando as alturas com a cabeça fora da janela, aquele rumorejar do
trânsito, noite e dia, quase como o sangue das minhas veias, continuei a
olhá-lo, sentado, de cigarro na boca, a contemplar a serra por onde a noite já
caminhava, ele encontrou-se, eu perdi-me, virei costas ao que sou, compreendi,
nesse instante (quantas vidas encerra um
minuto?), que já não tínhamos nada a dizer um ao outro, tantos equívocos
somados, pois, só com a idade é que percebemos que o tempo acelera e desacelera
consoante a geografia de uma existência, e o miúdo… Foi quando levantei a
última mala, o soalho a ranger o que me pareceu um tímido adeus, que um sentir de alegria caminhou por mim, a luz de cada dia
tem a fatalidade de nos devolver o que somos nessa data, a noite, pelo menos,
aproxima-nos do que gostaríamos de ser, pois, o sonho…
domingo, 4 de janeiro de 2026
Da Cobardia (ou a Porcachona e o Tintim III)
Hoje encerro a trilogia sobre estas
ridículas figuras, a Porcachona e o Tintim, a cobardia do supracitado título
não é um acaso, após as duas anteriores crónicas, onde, convenhamos, estas
personagens tão bem foram retratadas em toda a sua esplendorosa mesquinhez, como
se mais tivessem para oferecer ao mundo, reuniram-se para tomar medidas,
impunha-se um contra-ataque, mas como…? Escrever? Pois, o Tintim, esse boneco
de andar bamboleante, com o livrito debaixo da sovaqueira, tentou por múltiplas
vezes articular frases sobre folhas-em-branco, o resultado final, enfim, apenas
uma dolorosa pobreza, guardou a frustração para si, é necessária nobreza para
assumir as fraquezas, a vida, inclemente, apontou-lhe a margem de leitor, em
verdade, não lhe fora concedido engenho para mais, daí o omnipresente livrito
debaixo da sovaqueira, assim que o mercado chama as ovelhitas, lá vai o boneco,
atrás do rebanho, para, no dia seguinte, preencher a sovaqueira com o último ditame,
por conseguinte, escrever muito para além das suas diminutas capacidades, a
Porcachona, então, escrever só se fosse para comédia alheia, não, por aí o
caminho nitidamente vedado, confrontar o autor também não se lhes afigurou
possível, são de essência cobarde, tudo pelas costas, maledicência, conluios,
inveja, sublinhe-se, uma vez mais, o boneco ambicionava ser escritor, a
Porcachona é simplesmente uma frustrada, que se aproxima a largos passos dos
sessenta, percebe que já ninguém lhe pega, pariu duas vezes, embora, pela
volumetria das ancas, se afigure a génese de uma pocilga, e o que podia fazer o
boneco, com aqueles descarnados membros, tamanho só acumula na cintura, até o
cocuruto, há muito, em obscena nudez, para aguçar a fantasia do leitor: imaginem
um boneco, carequinha, de andar bamboleante, redondinho, apesar de uma camisa
largueirona na desesperada tentativa de calar este facto, aproximar-se de
alguém e, num sumido tom de aviso, “Veja lá se quer levar um
tabefe…”; pois, não, a coisa não poderia
ser por aí, onde o Tintim conseguiria arrojo para tal, uma vez que a sua testosterona
é proporcional aos escassos grisalhos sobre o cocuruto, um contra-ataque
público também não seria boa ideia, são de essência cobarde, tudo pelas costas,
maledicência, conluios, inveja, e a Porcachona já foi avisada “Ten mucho
cuidadito, Porcachona, el mundo es pequenito,” a coisa teria de ser mais subterrânea, são criaturas das sombras,
íntimas de ratazanas e outras tais, uma mensagem por uma dessas actuais
redes-privadas, ora nem mais, mas quem escreve? Aqui a Porcachonha, de forma
lesta, ofereceu-se, o boneco ainda ponderou, mas receou que, se fosse o
primeiro a levantar-se, todos ficariam a olhar para o seu andar bamboleante,
vivemos, sem dúvida, tempos onde a intolerância impera, há algum mal que, na
locomoção, alguém goste de sobressair as ancas? Sinceramente, abaixo os
preconceitos, deixem o Tintim dar às ancas, até fez um casamento interessante, na
vida há que sopesar muito bem as escolhas, umas ancas bamboleantes, pelo menos,
são garantia de uns passitos de dança na direcção certa, ela proprietária de
uma casa a Sul, assim sendo, permitem que, todos os Verões, o nosso boneco fique
morenito, não por acaso, prudente como é, já adquiriu múltiplos chapéus, aquele
cocuruto em obscena nudez, apesar da celeridade com que se voluntariou, a
Porcachona logo se debateu com a sua total falência para articular palavras,
nem insultar por escrito lhe foi possível, compreende-se, é uma Porcachona,
mais não lhe é exigível, neste particular, os tempos correram a seu favor, uma
Porcachona não sabe jogar limpo, quem vive da e na imundície a mais não pode
aspirar, lá se valeu do actual substituto do intelecto humano, no seu caso nem
se pode denominar de substituto, uma vez ser totalmente desprovida de
intelecto, em última instância, e bem vistas as coisas, não foi das suas jogadas
mais abjectas, buscou o que não possui: inteligência; no dia seguinte, em
júbilo, pô-la a correr na tal rede-privada, claro que houve o cuidado de não
estar assinada, a memória de um aviso “Ten mucho cuidadito, Porcachona, el
mundo es pequenito,” o boneco, prudente
como é, também declinou assinar, não fosse alguém arranjar-lhe um novo andar,
só quem, de facto, padece de total ignorância, julga que estas coisas ficam em
privado, um pombo-correio, com nome de azeiteira, despeitado, enviou para um
sujeito, com a esperança de que este o fizesse chegar ao visado, coitadinha, julgou
todos por si, como resposta “Eu não sou pombo-correio, tem aqui o contacto
de quem por direito”, o pombo-correio, de
nome azeiteira, também é cobarde, tudo pelas costas, maledicência, conluios,
inveja, são criaturas das sombras, íntimas de ratazanas e outras tais, a
somar a tudo isto há favores, muitos favores, três anitos de contrato seguidos
para garantia permanente do pãozito na mesa, assim se estabelece a obediência
cega destes acéfalos, claro que nada enviou, pudera, esta é a realidade dos nebulosos tempos que atravessamos, onde a Cobardia é o único Norte possível aos miseráveis
acéfalos, toda a minha escrita é pública e assinada, pois quem nasce com
coluna-vertebral não sabe rastejar.
Pedro de Sá
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